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Dancinha do marketing jurídico

sexta-feira, 6 de março de 2020

O amigo Reinaldo Centurião pergunta:

"Acabei de ver uma propaganda do escritório XXXXXXX onde aparecem meninas dançando um funk e cantando sobre o escritório, olhaí nesse link xxxxxxxxxx. Qual sua opinião?"

Reinaldo, obrigado pela pergunta. Obviamente tirei o nome do escritório e o link enviado para colocar na coluna, até porque acredito que todo mundo da comunidade jurídica tenha visto e saiba do que estamos falando. Eu recebi o mesmo vídeo diversas e diversas vezes nos grupos de WhatsApp que faço parte. Realmente este vídeo viralizou. O problema está no fato de que viralizou para o lado ruim da coisa. Ninguém enviou o vídeo com o comentário "olha que legal", "veja que exemplo de advocacia" ou "que ideia interessante de abordagem". Os comentários foram extremamente jocosos apenas. "Olha o que o desespero faz com a advocacia", "segue maneira de não se mostrar como advogado" e outras. Isso sem contar os memes que foram criados. Para quem já assistiu minhas palestras, sabe que existe uma parte que chamo de "Maus Exemplos na Advocacia" e o que mais me pediram foi a inclusão do vídeo nessa parte, para falar a verdade.

Então vamos lá para alguns pontos do porque elas não deveriam ter feito esse vídeo:

1º ponto: é proibido. Ao ler o Código de Ética fica muito claro que a sobriedade da advocacia em nada se alinha com a peça em questão. Então porquê fazer, se é contra as regras? Podemos fazer muito mais, dentro das possibilidades legítimas.

2º ponto: é ridículo. Me desculpe quem defendeu a iniciativa, mas, para mim, associar a sua imagem com uma dancinha funk, é, no mínimo, falta de noção e entendimento de como um escritório ou advogado deveria se portar perante o mercado. Então porquê fazer, se passa a imagem errada?

3º ponto: não traz resultado. O que isso agregou para seu cliente? Quais os benefícios que você demonstrou ao mercado com essa peça? Que, como advogadas, vocês são ótimas funkeiras? Tenho certeza que, mesmo sendo uma ação de nível amador, isso deve ter dado trabalho, gastado tempo e dinheiro das sócias. Então porquê fazer, se isso não vai trazer resultado efetivo ao escritório?

Postas estas três objeções (existem outras, mas pelo tamanho da coluna prefiro não me estender), tenho que me render ao fato de que simplesmente não entendo qual foi o objetivo da ação. Se foi reduzir sua credibilidade no mercado, parabéns, acertaram em cheio.

Para encerrar a coluna, vou colocar aqui um fato interessante. Ao saber do ocorrido, busquei o nome do escritório em nosso programa de CRM, onde mantemos todos os "namoros" com clientes prospectivos. O último posicionamento foi "as sócias informam que contrataram outra consultoria mais barata". Veja, não sou melhor que nenhum outro consultor no mercado, mas eu NUNCA teria colocado meu cliente em uma situação compatível com esse escândalo. Realmente a frase "o barato sai caro" é uma realidade difícil de superar.

Vale lembrar que o fato não passou despercebido. Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Rio Grande do Sul (OAB/RS) disse que adotará medidas contra o grupo de advogadas que divulgou a paródia, afirmando que a produção trata de "forma jocosa demandas importantes para a vida das pessoas" e que "infringe gravemente o Código de Ética e Disciplina por macular a imagem e o respeito da advocacia".

É, elas dançaram.

Confira toda sexta-feira a coluna "Marketing Jurídico" e envie suas dúvidas sobre marketing jurídico, gestão de escritórios, cotidiano dos advogados empreendedores ou dúvidas gerais sobre o dia a dia jurídico por e-mail (com o título Coluna Marketing Jurídico) que terei um grande prazer em ajudar.

Bom crescimento!

Atualizado em: 6/3/2020 09:44