sexta-feira, 3 de julho de 2020

ISSN 1983-392X

Marketing Jurídico
Alexandre Motta

Diários de uma falência

sexta-feira, 17 de abril de 2020

A amiga Tamara Junqueira pergunta:

"Como "combater" sócios sem visão, sendo minoritária?"

Tamara, obrigado pela pergunta. Realmente essa é uma questão preocupante e complicada, o que brincamos ser uma "sinuca de bico". Por um lado, você está crescendo no escritório e subiu ao posto de sócia minoritária (acredito que talvez essa seja sua história, como muitas que já vi), o que te faz grata e esperançosa por alçar novos voos no escritório. Por outro, você vê oportunidades evolutivas passarem pelas mãos dos sócios sem aproveitamento. Sinuca de bico.

Minha experiência diz que nunca nenhuma situação é igual a outra e, portanto, vou colocar alguns elementos aqui e você verifica se "encaixam" em sua realidade.

O primeiro ponto é verificar se os sócios majoritários estão na mesma direção que seus sonhos. Por muitas vezes os sócios, geralmente quando tem idade mais avançada, querem apenas manter o escritório como está, sem crescimentos, maiores esforços e dores de cabeça. Eles estão apenas "levando" o escritório até uma real aposentadoria e realmente não vão se empenhar para mudanças e avanços.

Nesse caso, o ideal é tentar entender se existirá uma sucessão do escritório para os minoritários quando os mesmos se aposentarem e, em posse dessa informação, verificar se você quer investir nessa ideia e ser a nova sócia futuramente, com maior poder e possibilidade de avançar na direção que você escolherá. Se esperar não é a sua praia, então está na hora de investir em seu próprio escritório e fazer a coisa realmente acontecer. Seja sua própria chefe.

Agora, se você sente que os majoritários estão com os mesmos objetivos que você, é preciso entender a razão porque eles estão deixando passar as oportunidades. Por experiência própria, muitas vezes é apenas desconhecimento do que pode acontecer, para o lado bom (os resultados financeiros efetivos de um investimento focado) ou ruim (os acontecimentos que poderão ocorrer pela falta de evolução correta) que impede o avanço. Com posse destas informações, agora é hora de instruir, exemplificar amplamente e usar todo seu charme e poder de convencimento para tentar trazê-los para o seu nível de entendimento de como os sócios deveriam perseguir seus objetivos. É um trabalho intenso, mas se você usar referências reais de outros escritórios que trilharam o mesmo caminho, isso poderá ficar mais fácil.

Porém, fica aqui o alerta: não fique no meio. Te mostrei dois caminhos para chegar aos seus objetivos. Siga um ou outro, mas não fique no meio, no limbo, sem ação. A razão? Coloco aqui abaixo a evolução de uma conversa prospectiva entre Inrise e um escritório (exemplo tirado diretamente de nosso CRM):

  • Dia 02/11/2012 – reunião realizada na sede do cliente. Boa, com possibilidade de fechamento real.
  • Dia 04/02/2013 – Dr. diz que achou interessante a proposta e que depois do carnaval coloca em prática.
  • Dia 01/05/2013 – Dr. falou que depois do carnaval as coisas começaram pesadas, pediu 30 dias para implementar.
  • Dia 01/06/2013 – Dr. disse que algumas coisas mudaram internamente e ele precisa convencer os sócios da necessidade da implementação. Pediu um tempo para conversar com sócios majoritários.
  • Dia 07/08/2013 – Dr. vai tirar férias, pediu retorno em outubro.
  • Dia 15/10/2013 – Dr. disse que não conseguiu falar ainda com sócios.
  • Dia 13/11/2013 – com a proximidade da virada de ano, pediu para falar no começo do ano.
  • Dia 20/01/2014 – Pediu para falar depois do carnaval.
  • Dia 30/03/2014 – Pediu para falarmos no segundo semestre.
  • Dia 02/08/2014 – Disse que sócios não tem o mesmo ponto de vista que ele e que nem conseguiu falar direito sobre o projeto com eles. Colocarei o contato para daqui um ano. Não acredito que isso vire.
  • Dia 14/10/2015 – Dr. se lembra do projeto, mas diz que as coisas estão piorando e que não é hora de pensar nisso.
  • Dia 01/10/2016 – telefone não atende.
  • Dia 02/11/2017 – telefone não atende.
  • Dia 17/06/2018 – consegui contato no celular do Dr. e ele informou que o escritório está fechando, perguntou se o departamento de recrutamento pode ajudar na recolocação dele em um escritório.

Repetindo: não fique no meio do caminho. Vá para um lado ou para outro. Como diria uma colaboradora minha: "ou é quente ou é frio. Morno não serve nem pra fazer chá".

Espero ter ajudado.

Confira toda sexta-feira a coluna "Marketing Jurídico" e envie suas dúvidas sobre marketing jurídico, gestão de escritórios, cotidiano dos advogados empreendedores ou dúvidas gerais sobre o dia a dia jurídico por e-mail (com o título Coluna Marketing Jurídico) que terei um grande prazer em ajudar.

Bom crescimento!

Alexandre Motta

Alexandre Motta, é consultor e sócio diretor do Grupo Inrise. Com formação e pós-graduação em marketing pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), atuou durante cinco anos em escritório jurídico como responsável pela área de desenvolvimento de negócios e comunicação com clientes. É palestrante oficializado pela OAB (tendo recebido inclusive a Medalha do Mérito Jurídico), escreve artigos de relevância para o mercado atual e é autor dos livros "Marketing Jurídico – Os Dois Lados da Moeda" e "O Guia Definitivo do Marketing Jurídico". Apresenta também o programa de entrevistas Conversa Legal, focado na interatividade dos profissionais do setor jurídico. Desde 2002 mantém, através de sua consultoria, uma clientela de inúmeros escritórios jurídicos sob sua responsabilidade de atuação e crescimento em marketing ético.

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