Quarta-feira, 18 de setembro de 2019

ISSN 1983-392X

Tristes tempos

Edison Vicentini Barroso

Triste ouvir do que ouço e ver do que vejo. Quadra difícil esta nossa. Os velhos eternos princípios, do bom caráter e da vergonha na cara, ao que parece, já não vingam.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010


Tristes tempos

Edison Vicentini Barroso*

Triste ouvir do que ouço e ver do que vejo. Quadra difícil esta nossa. Os velhos eternos princípios, do bom caráter e da vergonha na cara, ao que parece, já não vingam.

ETA povo brasileiro. Deseducado, manipulado e manietado, elege a quem não deve, reelege a quem não pode e abre mão da condição de, pelo voto, melhorar seu destino.

Vejo do que ouço e ouço do que vejo, no desejo de que algo mude. Mas, o tempo passa e tudo continua como dantes no quartel de Abrantes!

Avizinha-se nova eleição, com o cortejo das lições aprendidas, sem que esse povo se dê conta do faz de conta que é este país.

Façamos de conta que tudo vai bem, que no "nosso" governo não há desvios de conduta, que o mandatário maior se aproxima do que, no mundo, há de melhor.

Façamos a conta do que tem havido nesta nação. Da aproximação com o Fidel, com o Chávez, com o Evo e com o Ahmadinejad.

Levemos em conta que o centro do Poder só sabe das coisas quando lhe convém, sempre vendo a quem. Deixemos de lado o discurso surrado de que a ninguém é dado raciocínio e questionamento.

Libertemo-nos do medo, expondo-nos e entremostrando as chagas deste Brasil, nem tão varonil quanto seu hino faz crer.

Cantemos, numa só voz, inda que poucas, os desvarios d'um povo despreparado, à distância da boa educação e de princípios ético/morais que lhe facultem dias melhores.

Vejamos da miséria que o oprime, da malandragem que a ninguém redime e do poderio inconteste da desfaçatez.

Ouçamos do soluço baixo daquele que chora a mais não poder, à distância da possibilidade de fugir do destino que o espera, no seio d'uma nação aviltada pela falta de vergonha que teima em prevalecer.

Vejamos da pilhagem do justo, do descompasso do bem, do rubor do honesto.

Ouçamos do inaudível som do caráter reto, na busca incessante por um novo porvir.

Vejamos do predomínio do mal, a seduzir e aliciar. Façamos de conta que nos é dado ver e ouvir melhor, a bem de todos.

Bendigamos da oportunidade de cada dia, pela qual temos nas mãos a chance imperdível de fazer mais e melhor.

Não mais nos percamos no caminho, quais ovelhas que, cantando, entrem no matadouro.

Matemos, em nós, a fonte da ignorância, na esperança sincera de que faremos dias melhores.

Não nos furtemos à responsabilidade que se espera de cada um de nós. Exprimamo-nos, fazendo que outros ouçam nossa voz.

E que as urnas sejam o repositório, não mais dos desatinos d'um povo, mas da moralização d'uma nação, na busca de seus elevados destinos.

Que a força do esclarecimento vença, de vez, a ignorância que escraviza, libertando-nos dos sanguessugas deste país.

Que o esclarecimento da verdade nos dê a força de resistir ao jogo de cena que aí está, franqueando-nos novos tempos no devir.

Para que o choro se transforme em riso e a lágrima ceda passo à felicidade, própria dum povo que saiba aonde queira ir.

A pior tortura é a autoflagelação. E o pior cego é o que não queira ver. ETA povo brasileiro, que teima em correr da luz, com medo de crescer.

Tristes são os tempos, em que a festa da democracia cede passo ao descompasso infeliz da demagogia, transformando sorrisos em lágrimas, subvertendo princípios e incutindo o império da anarquia.

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*Desembargador do TJ/SP





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