Domingo, 18 de agosto de 2019

ISSN 1983-392X

O contrassenso da justiça nos dias atuais

Bruna Coutinho Noronha

Advogados, promotores de justiça, juízes e diversos outros integrantes do Poder Judiciário reafirmando, dia após dia, à sociedade que a justiça brasileira não possui solução.

terça-feira, 3 de julho de 2018

Milhares de estudantes se tornam profissionais do Direito todos os anos, provenientes de inúmeras universidades que oferecem ensinos das mais variadas qualidades.

Não se pretende aqui abordar estatísticas a respeito, no entanto, é fato que mesmo com tantos profissionais da área inseridos na sociedade, a gama daqueles que realmente estão preparados e dispostos a trabalhar em prol da justiça permanecem escassos.

Irrelevante a posição ou cargo que ocupa, todos os operadores do direito possuem como cerne profissional o dever ser, não se tratando de uma faculdade, mas de imposição quanto ao zelo com o qual devem desempenhar suas funções.

Na prática, o que se constata com tamanha frequência é exatamente o desleixo profissional, a ausência de comprometimento com a causa e com o juramento feito um dia em nome da justiça.

Advogados, promotores de justiça, juízes e diversos outros integrantes do Poder Judiciário reafirmando, dia após dia, à sociedade que a justiça brasileira não possui solução.

Tem-se a morosidade como o corriqueiro questionamento quando o assunto é o Poder Judiciário, contudo, esta se mostra, lamentavelmente, um costume de cunho procrastinatório de profissionais despreparados por diversos fatores para o exercício do mister, além de problemas de natureza estrutural e organizacional, acarretando um estado de lástima jurídica.

Vale ressaltar, nesse momento, outro obstáculo a boa prestação jurisdicional, sendo esta o oposto à morosidade.

A agilidade ou praticidade, sobretudo no andamento processual, seja por manifestação das partes, através de seus procuradores, seja do magistrado em seus atos processuais, e demais exercitores do direito, devem sem dúvidas, ter como objetivo a celeridade processual, porém, o que se verifica atualmente são profissionais eivados de extremos, morosos no desempenho de suas funções ou que buscam tamanha agilidade e praticidade que perdem o senso de humanidade, bom senso e zelo no seu múnus.

Eis o desequilíbrio presente na justiça, que acarreta prejuízos aos clientes, em relação ao advogado que trata com displicência a condução de processos, no que tange àqueles que de qualquer forma praticam atos processuais e assim o fazem com o fito de se livrarem de mais um número, prazo, pressão ou problema alheio.

Curso de Direito não pode, em hipótese alguma, ser entendida como uma atividade banal e sim vocação, esta que provavelmente irá ditar qual tipo de profissional determinado estudante será.

O futuro das pessoas está em mãos muitas vezes não preocupadas em abraçar a causa e por ela lutar, ou mesmo interessadas em fazer valer a justiça em seu conceito puro, mas na intenção de pôr fim a qualquer custo de demanda judicial, ainda que e princípios basilares do direito sejam sacrificados.

Situação atual e estarrecedora, o judiciário encurralado pela ausência de equilíbrio de seus membros, mais, ausência de ética, esta norteadora do trabalho como um todo e exaustivamente prevista como normas, constantemente descumpridas.

É inadmissível e insustentável a situação, da qual comporta uma reflexão sistemática, o problema não parece ter origem, ao menos não primária, na quantidade de profissionais na sociedade, mas na qualidade dos mesmos.

Nesse diapasão, vale trazer à baila outro questionamento, aquele especialista que vai cuidar do futuro de tantas pessoas, assim o faz por vocação?

Há uma certeza, se a resposta for negativa, certamente bom profissional não será!

Longe se está de uma mudança radical do Poder Judiciário, todavia, toda mudança se inicia de cada indivíduo, o conformismo gera estagnação e vitimismo, tanto do profissional, quanto da sociedade.

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*Bruna Coutinho Noronha é advogada.