Sábado, 24 de agosto de 2019

ISSN 1983-392X

9 de julho, orgulho paulista!

Renato Bellote Gomes

O dia nove de julho de 1932 ficou marcado na história brasileira como o dia em que o povo paulista iniciou sua revolução e escreveu uma das páginas mais heróicas e sangrentas da história brasileira no século XX.

sexta-feira, 9 de julho de 2004

9 de julho, orgulho paulista!


Renato Bellote Gomes*


O dia nove de julho de 1932 ficou marcado na história brasileira como o dia em que o povo paulista iniciou sua revolução e escreveu uma das páginas mais heróicas e sangrentas da história brasileira no século XX.

Há muito os paulistas reivindicavam uma constituição de Getúlio Vargas, sem sucesso até então, o que aumentava cada vez mais a insatisfação com seu governo ditatorial.

Ocorreram algumas manifestações isoladas e a guerra estava iminente nas ruas da capital. O estopim da revolução foi aceso na noite de 23 de maio, quando, num confronto com as forças do governo, morreram quatro homens, que, sem saber, se tornariam os mártires da luta: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo. Estava decretada a guerra.

A partir desse momento houve um aumento na propaganda anti-getulista nas rádios, jornais e até os alunos da faculdade de Direito do Largo São Francisco formaram o Batalhão Universitário. A intensa divulgação dos fatos ocorridos se alastrou por todo o Estado, criando um clima de euforia e otimismo em todo o povo paulista. Militarmente, os paulistas só conseguiram o apoio do Mato Grosso do Sul, mas tinham do seu lado hábeis comandantes, como os generais Euclides Figueiredo e Bertoldo Klinger. O combate se desenrolou em seis frentes, destacando-se também a participação aérea e naval.

Foi lançada a campanha “Doe ouro para o bem de São Paulo” e o governador Pedro de Toledo criou os bônus de guerra, que possuíam valor de moeda. A euforia era tanta que muitas pessoas doaram até alianças de casamento para ajudar na causa revolucionária. O número de voluntários chegou à casa dos 50.000, que marcharam confiantes ao som de Paris Belfort e amparados pelos versos de Guilherme de Almeida.

Um parágrafo à parte merece a chamada “Legião Negra”, um pelotão formado por voluntários negros do Estado, e que cumpriu importante papel no combate contra as forças do governo.

Mas as forças paulistas, sem apoio e lutando praticamente sozinhas, foram se enfraquecendo com o tempo, de modo que após três meses de sangrentos combates, se renderam, assinando uma tratado de paz, não sem antes exigir a promessa da Constituição, que se tornaria algo concreto dois anos mais tarde.

Podemos dizer que a Revolução Constitucionalista de 1932 uniu todos num só ideal, deixando claro para o governo ditatorial que o povo de São Paulo não se rende sem luta. E nos versos imortais de Guilherme de Almeida: "Marchou o soldado paulista, marcou o seu passo na História, deixou na terra uma pista, deixou um rastilho de glória".
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* Bacharel em Direito





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