Sábado, 17 de agosto de 2019

ISSN 1983-392X

A revolução do Marketing Jurídico

Rodrigo D’Almeida Bertozzi

Nós carregamos, querendo ou não, uma bolha que nos torna invisíveis na vida profissional.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2005

A revolução do Marketing Jurídico


Rodrigo D’Almeida Bertozzi*

Nós carregamos, querendo ou não, uma bolha que nos torna invisíveis na vida profissional. Quando crianças, a grande maioria morria de medo de ser chamada pelo professor para resolver algum problema matemático no quadro negro. A exposição somada com o receio de errar e sentir-se humilhado paralisa muitos de nós. Diria que o mesmo padrão se repete na vida adulta, muitos continuam a se esconder para não expor o seu conhecimento e por conta disso ser criticado.

A proposta do marketing jurídico é furar a bolha da invisibilidade que nos envolve e nos acompanha por boa parte de nossas vidas. E como uma rápida e violenta chuva de granizo, as dificuldades da hipersegmentação do mercado jurídico criam uma nova percepção da profissão. Embora existam muitos desafios para que possamos vencer, existem formas diferentes de se posicionar perante a tudo isso.

Metas para o marketing jurídico

Criar uma reputação consistente;

Gerar confiabilidade;

Resultados em negócios (mensuráveis);

Desenvolver uma marca reconhecida de longo prazo;

Construir a comunicação ética

O maior segredo do marketing jurídico é aprender a construir uma percepção vencedora da marca em diferentes ambientes segmentados. Para cada segmento, uma comunicação absolutamente adaptada.

Etapas do Marketing Jurídico

1ª etapa (até a década de 80) – A comunicação não era pensada como uma técnica. Os profissionais são intuitivos e as técnicas se resumem a carisma pessoal, produção intelectual e baixa concorrência.

2ª etapa (década de 90) – com a explosão das privatizações e fusões, bancas enormes se formam, e a comunicação passa a ser melhor pensada, porém de maneira generalista. O conceito passa a solidificar-se em São Paulo, onde a concorrência é maior.

3
ª etapa (atualmente) – surge o marketing jurídico, a comunicação passa a ser integrada e segmentada para a obtenção de resultados econômicos. Novas maneiras de envolver o cliente são criadas. Pressão na OAB para permitir a comunicação ética de forma mais livre. Cresce a importância das marcas jurídicas e das análises estratégicas. O conceito espalha-se por todo o país.

4ª etapa (futuro) – a comunicação passa a fazer parte do negócio jurídico, auxiliando no relacionamento com os clientes, desenvolvendo contatos, segmentando a marca, criando produtos inovadores, estudando a expansão da banca. É a elevação do marketing jurídico como ferramenta diária de trabalho e a modificação do código de ética da OAB para uma melhor acomodação dos profissionais do direito.

É notório que as técnicas antes apregoadas, agora estão sendo analisadas com objetividade e dimensões inéditas. E, os resultados já podem ser vistos em todos os estados, com bancas surgindo com uma comunicação eficaz. Uma dica fundamental é partir do código de ética para a criação da comunicação, e, não o contrário.

Algumas Soluções

Flexibilidade do conhecimento – buscar novas fontes de informação em segmentos denominados laterais. Você encontrará idéias em empresas de auditoria, consultoria, contabilidade, etc. Estude o que as indústrias de biotecnologia estão fazendo, combine a informação com o mercado de agronegócios e compare com nossas leis. Leia com rigor outras fontes como revistas setoriais, livros, etc. Retire idéias de fontes inusitadas como cinema, quadrinhos, música, livros científicos. Seja flexível no setor.

Velocidade da informação - crie sistemas onde o fluxo de informações seja contínuo e constantemente abastecido. O site pode ser um excelente meio para concentrar o conhecimento e torna-lo ágil. Desenvolva ferramentas na internet com este propósito. Faça da internet o canal ideal de comunicação com o cliente.

Mutabilidade – mude as regras, o jogo, o tabuleiro, os jogadores antes que alguém o faça por você. Nunca se acomode, mesmo que esteja tendo sucesso. Escritórios como a Gouveia Vieira (RJ), que possui 100 advogados e 70 anos de existência, conseguiram sobreviver principalmente pela alta capacidade em se moldar e reinventar-se de acordo com o mercado e as novas exigências. Outras bancas sem a mesma habilidade pereceram no caminho.

Aprenda a fracassar – os fracassos acumulados de um profissional ou banca não são prova da incompetência, mas a verdadeira alma de uma pessoa ou organização na busca por algo novo. Ao aprender e aprimorar o que deu errado, poderemos um certo dia esbarrar em algo diferencial e que pode mudar a ordem das coisas. A história humana está repleta desses exemplos, desde a descoberta de fragmentos de Tróia, do método da clonagem e as viagens espaciais. Todos fracassaram e de tanto insistir conseguiram obter o tão esperado resultado. O verdadeiro fracasso é nunca tentar algo novo.

Não fique falando. Faça! – de boas idéias e intenções o mundo jurídico está repleto. O que falta é executá-las. Pense no longo prazo.

Alianças ágeis entre profissionais – um fator estratégico fundamental são as alianças com outros profissionais gabaritados. No meio ambiente, engenheiro florestal no agronegócio, engenheiro de alimentos - agrônomo, biotecnologia, engenheiro genético, tributário economista, e assim por diante. Este conhecimento combinado é sensacional, pois permite criar uma empresa de serviços jurídicos absolutamente flexíveis.

Por fim, é preciso bagunçar e tirar da ordem o ambiente sisudo e burocrático da advocacia. Revolucionar com o marketing jurídico, dentro das limitações do código de ética da OAB. Eis, a minha proposta.
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*Advogado do escritório Selem, Bertozzi Consultores Associados





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