Quarta-feira, 17 de julho de 2019

ISSN 1983-392X

Ode ao Estado Brasileiro

Jorge Luiz Souto Maior

Eu insulto o Estado brasileiro Esse Estado letárgico, inculto, impuro e espúrio Antro de corruptos, espertos e malandros Alvo de lobistas, amigos e parentes

quarta-feira, 12 de agosto de 2009


Ode ao Estado Brasileiro

Jorge Luiz Souto Maior*

Eu insulto o Estado brasileiro

Esse Estado letárgico, inculto, impuro e espúrio

Antro de corruptos, espertos e malandros

Alvo de lobistas, amigos e parentes

Eu o acuso pelo descaso com a coisa pública

Com a educação, a saúde e o lazer

Com o cidadão trabalhador,

E com empresas socialmente responsáveis

Estado que cobra, prende, mata,

Distribui privilégios e favores,

Enquanto afugenta, reprime, explora

E trai a quem suas instituições defende

Abaixo ao comodismo, ao favoritismo, ao conservadorismo

Ao clientelismo, ao coronelismo e a todos os ismos...

Eu insulto esse Estado,

Que anistia a devedores fiscais

E penaliza a quem age corretamente

Que não pune os colarinhos brancos

E prende, sem processo, o criminoso famélico

Não paga dívidas

Não se dá ao respeito

Cria leis e não as cumpre

Um Estado que sem-vergonha

Esconde-se em atos secretos

Que uma vez descobertos

Sem passar apertos, se tornam concretos

São atos espertos...

Um Estado em que prevalecem

Conluios, alianças e conchavos,

Para, enfim, reeleição!

Eu acuso esse Estado por todos os desalentos e atritos

De ser assistencial para os pobres e financiador para os ricos 

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*Professor de Direito do Trabalho da Faculdade de Direito da USP e Juiz do Trabalho





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