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Tudo indica ser falsa a acusação contra Strauss-Kahn

Somente um alto grau de embriaguez - não mencionado -, ou desequilíbrio mental, ou inacreditável bloqueio mental explicaria um comportamento tão anômalo, prejudicial a si mesmo e ao partido socialista a que pertence, por parte de um provável futuro presidente da França.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Tudo indica ser falsa a acusação contra Strauss-Kahn

Francisco Cesar Pinheiro Rodrigues*

O jornal "O Estado de S.Paulo", na edição de 15/5/11, página A20, informa-nos sobre o suposto abuso sexual que teria sido cometido - insisto que não acredito - pelo diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, o mais forte adversário de Nicolas Sarkozy na eleição presidencial de 2012. Não estou dizendo aqui que o jornal é mentiroso, porque, de fato, o brilhante político, jurista e economista foi detido por autoridades americanas, em Nova York, quando já se encontrava dentro de um avião comercial da Air France, minutos antes de levantar voo, com destino à França. A prisão da destacada figura - para mim uma armação - realmente ocorreu, foi um fato, o que justifica a notícia do jornal. Este não se posiciona sobre a veracidade da tentativa de estupro.

Segundo a vítima - ou suposta vítima, uma camareira de hotel, de 32 anos -, quando ela entrou no quarto para fazer a limpeza, Strauss-Kahn saiu nu do banheiro e tentou dela abusar sexualmente, não o conseguindo porque a arrumadeira teria se desvencilhado, embora com "ferimentos leves". A camareira avisou os funcionários do hotel e este chamou a polícia, que não titubeou em providenciar a prisão do político minutos antes do avião iniciar o voo.

Somente um alto grau de embriaguez - não mencionado -, ou desequilíbrio mental, ou inacreditável bloqueio mental explicaria um comportamento tão anômalo, prejudicial a si mesmo e ao partido socialista a que pertence, por parte de um provável futuro presidente da França. Com seu poder e riqueza, é inconcebível que, em seu estado normal, o referido economista fosse "atacar", como um analfabeto "tarado", uma mulher estranha sem prever qual seria a reação dela. Nova York é a antítese de um convento. Dispõe de milhares de atraentes "call girls", convocáveis por telefone. A profissional poderia satisfazer a súbita premência amorosa do "cliente", com total discrição e sem mesmo saber quem a convocava. Elas, como suas iguais, em todo o mundo, não exigem comprovação de identidade.

Frise-se, ainda, que ele não foi preso em flagrante. Não houvesse um provável intuito secreto de difamá-lo politicamente, "impedindo uma abortada tentativa de fuga aérea!" - assim diriam as manchetes locais -, o procedimento normal da polícia teria sido ouvir a suposta vítima, avaliar sua sinceridade - inclusive com o detector de mentira - e, convencida da acusação, só então processar o político "tarado". Mas não, um clima de "thriller" de filme de 007 deveria ser exigência da provável armação.

A utilização da política e da justiça com fins escusos não é prática rara nem na luta política nem na competição empresarial. Este parece ser, hoje, por enquanto, o "caso" em exame. A direita francesa, notadamente Sarkozy quer, ardentemente, vencer a próxima eleição. Um escândalo desse naipe altera tudo. Possivelmente, algum inimigo figadal da esquerda tenha, num "impulso de criatividade", concebido uma forma de prejudicar o mais perigoso concorrente do atual presidente francês, inventando uma história particularmente vantajosa para desmoralizar adversários.

Vantajosa, porque reúne duas características: o público americano, nas acusações de estupro - realizado ou tentado -, sempre se posiciona, emocionado, em favor da vítima, ou suposta vítima. Uma carinha de choro e humilhação de mulher condena qualquer um. O ônus da prova como que se inverte. "O acusado que prove ser inocente!" Tarefa difícil, porque não há testemunhas, filmagem, ou conversa gravada. No caso de políticos, mesmo que não resulte demonstrada, sem sombra de dúvida, a tentativa de estupro - com consequente absolvição -, a natureza da acusação e a permanência do caso na mídia, por meses, "mancha" o candidato mais perigoso, fazendo-o perder a eleição.

A vantagem desse tipo de acusação beneficia também as supostas vítimas, garantindo-lhes uma quase certa impunidade: o caso termina, frequentemente, sem uma certeza da população sobre o que realmente ocorreu dentro de um quarto fechado. Por algumas centenas de milhares de dólares é possível encontrar uma "artista" improvisada e corajosa que queira ganhar talvez um milhão de dólares, quantia insignificante quando se pensa no que significa, direta ou indiretamente, ser presidente de um país do primeiro mundo. Quanto aos "ferimentos leves", isso é muito fácil de simular.

Escrevo estas desconfiadas linhas porque me lembro do que ocorreu nos EUA muito antes da eleição do presidente John F. Kennedy. O pai de um político americano que chegou à presidência era um homem de negócios tremendamente astuto, ativo e ousado. Antes de centralizar toda sua habilidade em eleger seu filho para o mais alto cargo político dos EUA e do mundo, foi também empresário na área de show business. Tinha, porém, um concorrente - ao que me lembro grego de nascimento - que o derrotou nessa atividade. Rancoroso, contratou uma adolescente esperta e ambiciosa para simular uma tentativa de estupro. A mocinha conseguiu uma audiência com o grego, no escritório dele, fingindo querer uma oportunidade para trabalhar como artista. Em certo momento, avançou contra o grego, puxou sua camisa para fora das calças, assanhou o cabelo dele, rasgou seu próprio vestido e saiu da sala "espavorida" gritando ter sido vítima de um ataque sexual. O grego, atônito, seguiu-a, alegando inocência, mas como estava com a roupa desalinhada e a mocinha insistia, "emocionada", na acusação, foi preso no ato. O júri o condenou a uma pena severa e foi preciso muito trabalho dos advogados do empresário para absolvê-lo na apelação.

Esse relato consta de um livro de crimes reais que li vários anos atrás, escrito por um autor americano, ou canadense. Talvez tenha sido o canadense Max Haines, com a série "True Crime Stories". Não me lembro da série do livro, mas tenho um exemplar na minha casa, entre os mais de 6.000 volumes guardados sem organização ("o homem é o único animal que compra mais livro do que pode ler"). Se colocado em dúvida este fato de meu relato, tenho a certeza que localizarei a informação, hoje apenas de interesse histórico. E diz o referido autor que essa "mocinha", muitos anos depois, quando adulta, no seu leito de morte, confessou que o suposto "ataque sexual" tinha sido uma simulação, a troco de dinheiro.

Cabe agora, ao diretor do FMI, se caluniado - como me parece ser o caso -, defender-se com firmeza e inteligência. Como ainda faltam vários meses para a eleição, terá tempo suficiente, não para o término do processo, mas para um trabalho investigativo que, publicado na mídia, mostrando indícios da "armação", leve o eleitorado, progressivamente, à convicção de que houve apenas uma abjeta "armação". Se houve mesmo tal expediente escuso o tiro disparado pelos adeptos de Sarkozy poderá sair pela culatra, "aposentando" compulsoriamente o sempre ousado e imaginativo presidente. Seria o "Watergate" gaulês.

Escrevi, ontem, até aqui, o presente artigo. Hoje, porém, lendo no mesmo jornal, que a camareira em questão foi descrita como "uma profissional séria e competente, que nunca se envolveu em problemas durante o trabalho", isso introduziu pequena dúvida em meu espírito. Dúvida não absoluta, porque se houve, eventualmente, uma armação, essa peça feminina do esquema não poderia ser uma mulher desmoralizada, de mau passado, afastando toda a credibilidade e utilidade do plano. Este necessitaria de uma mulher de bom passado.

Se, porém, eventualmente, for comprovado, na justiça, a ocorrência de um acesso de loucura lúbrica em homem tão instruído e sensato, darei a mão à palmatória. Pedirei perdão à honrada camareira por desconfiar de sua versão, aparentemente contrária ao comportamento normal das pessoas que muito estudaram e têm muito a perder quando ultrapassam os limites. Aí reconhecerei, novamente, a sabedoria do filósofo que disse: "O homem é fogo. A mulher, estopa. Vem o diabo e sopra".

Minha desconfiança é que o "sopro" não passava de um bafo diabólico com odor de Roquefort, extraído de ovelhas e de sabor picante.

Somente um "espírito das trevas" conseguiria, com seu maléfico poder, destruir, em dois minutos, com seu sopro maligno, uma bela carreira, construída em décadas. Será necessário, no mundo ocidental, castrar todos os políticos para que não cometam asneiras monumentais?

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*Desembargador aposentado



 

 

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Atualizado em: 17/5/2011 11:44

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