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A mobilização começa nas redes sociais!

"Mas uma coisa é certa: Hoje, nossas mobilizações sociais tem início nas redes sociais. Elas são a forma mais simples, rápida e gratuita de interagir e de expressar opiniões".

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Nos últimos dias, temos vivido uma intensa manifestação por parte da população em protestos pelo aumento das passagens dos transportes públicos.  Há os que digam que a mobilização não é por conta do valor em si, mas pelos direitos que tem sido cerceados. A questão é que a internet tem contribuído em muito para a força dessa mobilização.

Quem não se sente motivado a aderir e contribuir com o protesto de alguma forma, ainda que seja compartilhando uma foto nas redes sociais, divulgando uma notícia ou postando comentários no facebook ou twitter sobre os recentes fatos? Frases como "O povo brasileiro alterou seu status de 'deitado eternamente em berço esplêndido' para 'verás que um filho teu não foge a luta" e outras como "Enquanto você assiste TV eu mudo o Brasil por você" ou mesmo postagens agendando local, data e hora para manifestações invadiram nossas páginas nos últimos dias.

A questão é evidente: nos anos 90, quando a internet surgiu no nosso cotidiano, ela era vista por muitos pensadores como um ambiente livre, com uma circulação de informação que iria naturalmente libertar o mundo de uma série de amarras sociais. Hodiernamente, a força da internet é inegável, mas as preocupações em torno dela mudaram um pouco.

Atualmente também é preciso sustentar a ideologia libertária da internet no plano teórico, mas, junto com isso, também temos que buscar formas práticas de acesso universal, como computadores, cabos, satélites, linguagens e preços que promovam a inclusão de grandes fatias da população mundial na rede para garantir que ela cumpra sua profecia democrática.

A mobilização social que se origina na internet é um tema que exige cuidados porque se presta rapidamente a ser transformado em uma cantilena baixa do estilo "vida digital versus vida real"; como se hoje as atividades em dispositivos e mídias digitais já não fossem parte do que costumamos chamar de "vida real".

Grande parte do que conhecemos como ativismo social hoje tem a ver com ações de grande impacto na mídia. É um subterfúgio criado por grupos que possuem ideais fomentadores de um objetivo. Quer queiram ou não, podemos considerar esses grupos avôs do hoje tão comentado marketing de guerrilha, que nasceu da necessidade de dar o máximo de exposição a causas que tinham pouca verba para compra de espaço formal em veículos de massa.

O problema é achar que todo e qualquer ato que traga mudança social precise ter cara de espetáculo. Invadir as ruas (ou a rede) com slogans inteligentes, imagens bem sacadas e ações inusitadas que gerem "factoides" dissemináveis não pode ser confundido com a essência da mobilização social. Afinal, quantas pessoas não estão por aí, sem nenhuma conexão com mídia, fazendo trabalhos incríveis? Será que todas elas precisam mesmo de uma grande exposição pra fazer o seu trabalho? Provavelmente não. A necessidade de exposição exacerbada é uma invenção da nossa era e não precisa ser seguida cegamente.

Mas uma coisa é certa: Hoje, nossas mobilizações sociais tem início nas redes sociais. Elas são a forma mais simples, rápida e "gratuita" de interagir e de expressar opiniões. É o fenômeno do "virtual para o real", o qual ainda não sabemos todas as futuras proporções, muito embora, não possamos ignorar a força e a influência dessas novas experiências.

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* Coriolano Camargo é advogado do escritório Almeida Camargo Advogados.

Almeida Camargo Advogados

Atualizado em: 25/6/2013 15:07

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