sexta-feira, 17 de setembro de 2021

MIGALHAS DE PESO

fechar

Cadastre-se para receber o informativo gratuitamente

  1. Home >
  2. De Peso >
  3. Um toque suave - para a Minha Maria Regina e para Todas as Marias pelo "Dia dos Namorados"

Um toque suave - para a Minha Maria Regina e para Todas as Marias pelo "Dia dos Namorados"

Em forma de poema, o Professor faz uma sublime homenagem ao dia dos namorados.

domingo, 12 de junho de 2016

Não sei que horas são.

Uma claridade difusa se esgueira,

fagueira,

atravessando as frestas da janela,

Ligeira.

 

O som noturno da cidade me alcança,

difuso.

Confuso, procuro identificar sua origem.

Uma voz se ouve ao longe,

Um carro freia assustado na esquina.

Sei que ali parca luz

a rua ilumina e a escuridão desce

até ao chão e nele cresce,

sombria.

 

Chegará a qualquer hora o dia?

Deitado para o lado da parede,

os pés presos no lençol amarrados como em

rede,

viro-me para o outro o outro lado e com muita sede

estendo a mão

esquerda,

devagar, um pouco insensível e

lerda,

porque havia ficado presa sob a minha cabeça.

 

E antes que em sonho a consciência não querendo

Desvaneça,

Sinto em meus dedos e na palma da minha mão,

num toque suave a tua pele macia,

magia da química do corpo adormecido e calmo.

 

Me acalmo. E na bruma do tempo passado,

O pensamento, alado, volteia pelo espaço.

Então na pista do tempo um pouso breve

Que quarenta e seis anos de vida leve,

Eu faço, no primeiro momento da tua visão,

Do rosto visto em um grupo indistinto.

 

Um pouco longe dos olhos que logo

Identifica o instinto como um alvo agradável

À vista, ao cheiro e ao tato, que como um fato

Se deu somente no futuro dali distante em,

Sucessão de fato e fato, num redemoinho

de pensamentos gratos, de doce olfato;

do toque quente de um beijo casto

que de saudades deixa um claro rastro

medido pelo caminho longo mas logo gasto

quando o futuro chega em instante, breve.

 

E no toque suave em teu corpo minha

mão se atreve a sentir a seda cálida da

pele trigueira. E assim seles o resto da minha noite

Minha querida, minha pequena,

Que, ligeira, de uma se multiplicou em quatro, em cinco,

Em quantos mais? Naqueles que um afetuoso braço um forte

Abraço acolhe a mim e a todos os chegados na fila

Não tranquila da brava vida a ser vivida passo

A passo, num grande e pequeno espaço do

Coração imenso e do tempo gasto,

Menor do que o desejo intenso de guardar

Em pequenas caixinhas de lembrança

Cada momento bom que a memória alcança e

Lépida logo se lança na bruma da vida e

Da terna esperança que minha mão ainda sente

Abandonada no teu corpo quente.

______________


*Haroldo Malheiros Duclerc Verçosa é sócio do escritório Duclerc Verçosa Advogados Associados e professor Sênior do Departamento de Direito Comercial da Faculdade de Direito da USP.


Atualizado em: 13/6/2016 11:11