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Por que o brasileiro ainda teme o inventário?

O tema sucessão patrimonial ainda assusta a maioria dos brasileiros.

domingo, 25 de janeiro de 2026

Atualizado em 23 de janeiro de 2026 13:22

O tema sucessão patrimonial ainda assusta a maioria dos brasileiros. Muitas famílias evitam falar sobre inventário como se discutir o assunto fosse atrair a morte, criando um tabu que prejudica o planejamento e a proteção do patrimônio. Essa resistência cultural gera imóveis bloqueados, bens parados e disputas familiares desnecessárias, prejudicando não apenas a economia, mas também a harmonia entre herdeiros. O medo, nesse caso, não protege ninguém; ele apenas posterga decisões essenciais.

O inventário tardio gera consequências concretas: multas, impedimentos de venda, bloqueio de contas e restrições sobre o uso dos bens. Em imóveis de valor significativo, esse atraso pode resultar na depreciação patrimonial e em disputas judiciais que se estendem por anos. É surpreendente que muitas famílias prefiram enfrentar longos litígios do que planejar a sucessão com antecedência, mesmo quando há tempo e lucidez para organizar o patrimônio.

O planejamento sucessório, quando feito de forma estratégica, é eficiente e muito menos traumático do que se imagina. Testamentos, doações em vida e a criação de holdings familiares são instrumentos que evitam disputas, reduzem custos e garantem a transmissão tranquila de bens. Planejar não significa antecipar a morte, mas cuidar dos vivos, preservando o patrimônio e oferecendo segurança jurídica aos herdeiros.

Além disso, discutir inventário com maturidade contribui para mudar a cultura jurídica do país, promovendo mais transparência e confiança no processo de sucessão. O patrimônio construído ao longo de décadas merece mais do que improviso. Planejar é respeitar a própria história e proteger a próxima geração, garantindo que o que foi conquistado continue sendo um recurso e não uma fonte de conflito.

Por fim, é necessário que o debate sobre sucessão se torne natural e acessível. Ao adotar planejamento sucessório, as famílias não apenas evitam problemas futuros, mas também fortalecem laços e promovem segurança econômica e emocional. A prevenção é sempre mais eficaz do que a correção tardia, e o cuidado com o patrimônio deve ser encarado como prioridade para todos os brasileiros.

Felipe Wolut

VIP Felipe Wolut

Pós Graduado em Civil e Processo civil; Pós Graudado em Agrário e Agronegócio; Membro da comissão da Dir. Do Agronegócio da OAB-GO; Membro da comissão da Dir. Agrário da OAB-GO;

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