Leilão: Estratégia de lucro e risco calculado
Os leilões imobiliários se consolidaram como uma das estratégias mais lucrativas do mercado para investidores que buscam rentabilidade acima da média.
terça-feira, 5 de maio de 2026
Atualizado às 08:00
Os leilões imobiliários se consolidaram como uma das estratégias mais lucrativas do mercado para investidores que buscam rentabilidade acima da média. Em um cenário em que bancos ampliam a oferta de imóveis retomados e plataformas digitais democratizam o acesso aos certames, não é surpresa que cada vez mais pessoas enxerguem nos leilões uma porta de entrada para multiplicação de patrimônio. No entanto, o que muitos ignoram é que não existe fórmula pronta para ganhar dinheiro nesse mercado: existe preparo. E, nesse ambiente de complexidade jurídica, técnica e financeira, quem tenta atuar sem orientação costuma descobrir rápido que a economia do início se transforma em um rombo no fim.
A lógica é simples: o lucro no leilão nasce do desconto, mas o desconto só se converte em vantagem quando o investidor sabe exatamente o que está comprando. Imóveis com pendências ocultas, ocupações difíceis de remover e matrículas repletas de averbações problemáticas podem transformar uma arrematação promissora em um verdadeiro passivo. A máxima “o risco faz parte do jogo” costuma ser repetida como se fosse sabedoria, mas na prática, o risco existe apenas para quem não faz a lição de casa. O investidor profissional não joga na sorte; ele investiga, confirma, simula cenários e toma decisões com base em dados - não em impulsos.
É nesse ponto que entra a figura da assessoria especializada, frequentemente ignorada por novatos. O advogado experiente em leilões lê aquilo que os olhos comuns não veem: vícios processuais, nulidades potenciais, ausência de intimação válida, avaliações inconsistentes, editais mal redigidos e, principalmente, elementos jurídicos que podem levar um leilão inteiro à anulação. O consultor técnico, por sua vez, avalia o estado físico do imóvel, o custo real da reforma e o potencial de revenda. Quando essas análises se juntam, o investidor deixa de apostar e passa a operar de forma estratégica. A vantagem está justamente em enxergar onde os outros tropeçam.
O mais curioso é que, na prática, a maioria das grandes perdas em leilões nasce de erros evitáveis. Pessoas que não leram o edital até o fim, que não checaram a matrícula, que não calcularam o custo da desocupação ou que acreditaram que, por ser um leilão judicial, tudo estava garantido. Não está. O leilão é um ambiente jurídico - e, como em qualquer ambiente jurídico, existem regras, prazos, vícios e, sim, decisões que podem ser reformadas. Em muitos casos, a assessoria alerta, explica, orienta, e ainda assim o investidor insiste em seguir sua intuição. É nesse momento que repito a frase que utilizo há anos: no leilão, é sempre mais seguro “votar com o relator”.
O “relator”, nesse caso, é o profissional que domina a matéria. É quem sabe identificar a armadilha antes que ela se torne prejuízo. É quem entende o procedimento, antecipa o risco e protege o investimento. Votar com o relator é seguir quem conhece o caminho - não por submissão, mas por inteligência financeira. No fim, o leilão continua sendo uma das melhores estratégias de lucro do mercado, desde que o investidor compreenda que a diferença entre um negócio brilhante e um desastre completo está na informação. E informação, nesse setor, não se improvisa: se contrata.


