Janeiro Branco e a advocacia
Janeiro simboliza recomeços, planejamento e novas resoluções. É um convite à reflexão consciente sobre pensamentos, sentimentos e escolhas que orientam o trabalho ao longo do ano.
terça-feira, 6 de janeiro de 2026
Atualizado às 09:47
Janeiro é tradicionalmente associado a recomeços, planejamentos e resoluções. No campo da saúde mental, o Janeiro Branco propõe algo ainda mais essencial: um convite à reflexão consciente sobre pensamentos, sentimentos e escolhas que orientam a vida pessoal e profissional.
A advocacia propõe esse convite para falar sobre saúde mental, particularmente relevante porque estamos falando de uma profissão marcada por alta exigência cognitiva, pressão por resultados, prazos rígidos, conflitos constantes e relações profissionais complexas - com clientes, colegas, magistrados, sócios e instituições. Nesse contexto, não são apenas os processos que demandam atenção, mas também a forma como o profissional pensa, sente e reage diante das situações do cotidiano de trabalho.
Você já percebeu que há um intenso diálogo interno na prática jurídica?
Advogados e advogadas convivem, muitas vezes, com pensamentos dirigidos a resolução, mas também automáticos como: "não posso errar", "preciso dar conta de tudo", "demonstrar fragilidade pode custar espaço profissional". Embora socialmente naturalizados, esses pensamentos tendem a aumentar o nível de estresse e a rigidez emocional, impactando diretamente a qualidade das relações profissionais.
Quando não questionados, esses pensamentos favorecem um desgaste emocional contínuo. Janeiro, portanto, é um momento oportuno para revisar esse diálogo interno e refletir sobre quais pensamentos fortalecem a atuação profissional - e quais, ao contrário, contribuem para o adoecimento.
Mas não são apenas os pensamentos que promove, a estruturação profissional, sentimentos também fazem parte deste processo, apesar da imagem de racionalidade associada ao Direito, nenhuma relação profissional é isenta de emoções. Frustração, medo, insegurança, raiva, sensação de injustiça e sobrecarga emocional estão presentes no cotidiano jurídico, ainda que raramente sejam nomeados ou legitimados.
Quando sentimentos são ignorados, eles tendem a se manifestar de outras formas: conflitos interpessoais, afastamento emocional, perda de motivação, queda de desempenho e, em muitos casos, adoecimento psíquico. Reconhecer os próprios sentimentos não significa fragilizar a atuação profissional, mas sim desenvolver maturidade emocional para lidar com contextos complexos e adversos.
Então prepare-se...
Preparo emocional importa nas relações profissionais ao longo do ano. A advocacia impõe desafios constantes nas relações profissionais: disputas de poder, cobrança por produtividade, gestão de expectativas de clientes, ambientes hierarquizados e, muitas vezes, pouca margem para erro. Diante desse cenário, estar preparado emocionalmente é tão estratégico quanto planejar metas ou atualizar-se tecnicamente.
Refletir, desde janeiro, sobre como se reage sob pressão, quais situações mais desestabilizam emocionalmente e quais limites precisam ser estabelecidos é uma forma concreta de prevenção em saúde mental. A qualidade das relações profissionais está diretamente associada à forma como pensamentos e sentimentos são organizados e geridos no dia a dia.


