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Como transformar a busca por soluções jurídicas confiáveis?

Os impactos da digitalização no mercado jurídico, mostrando que, apesar de ampliar o acesso a soluções, ela também gerou dispersão.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Atualizado às 14:12

É possível transformar a forma como profissionais e organizações encontram soluções jurídicas confiáveis?

O avanço da digitalização no mercado jurídico trouxe ganhos relevantes de eficiência, acesso à informação e ampliação de soluções disponíveis. Ao mesmo tempo, esse movimento gerou um efeito colateral importante: a dispersão. Empresas prestadoras de serviço, cursos, empresas de tecnologia jurídica (lawtechs), consultorias e fornecedores especializados passaram a ocupar múltiplos canais, plataformas e redes, tornando mais complexo o processo de identificar quais empresas, de fato, reúnem critérios de seriedade, qualidade e aderência às necessidades de quem contrata.

Nesse cenário, a discussão sobre curadoria ganha centralidade. Curar, no contexto jurídico, significa organizar, contextualizar e qualificar a oferta existente, criando referências confiáveis em meio ao excesso de informação. O que fazer para transformar essa realidade? Além disso, vivemos numa era digital e não podemos nos restringir, apenas, ao convencional.

O surgimento de um shopping de marcas jurídicas, sérias, do Brasil está diretamente relacionado a essa necessidade de organização do ecossistema, mais do que a uma lógica comercial tradicional.

A proposta desse modelo não é reunir empresas concorrentes indiscriminadamente, nem funcionar como um diretório aberto. Ao contrário, trata-se de um espaço editado, no qual as marcas presentes passam por um processo de seleção que considera histórico, posicionamento, consistência de entrega e compromisso com boas práticas e com comentários reais de quem usa o serviço ou o produto jurídico. O objetivo é reduzir assimetrias de informação e facilitar decisões mais conscientes, especialmente em um mercado onde a confiança é elemento central.

Outro aspecto relevante desse formato é a experiência de acesso. Em vez de depender de eventos pontuais (também, difíceis de localizar quando, onde e em que lugar acontecerá), indicações informais ou da proximidade geográfica, o ambiente digital permite que soluções jurídicas qualificadas sejam encontradas independentemente do lugar ou do momento. Isso amplia o alcance das boas práticas e contribui para um mercado mais acessível, transparente e conectado à realidade contemporânea.

A discussão sobre confiança também se fortalece nesse contexto. A base conceitual desse movimento está na atuação do Vem Ser Ágil, uma comunidade jurídica com quatro anos de existência, construída a partir do aprendizado coletivo, da troca de experiências e do incentivo à inovação responsável no direito. Ao longo desse período, a comunidade consolidou um papel relevante na mediação de debates, na formação de profissionais e na influência sobre práticas de mercado. Essa trajetória confere legitimidade à curadoria e aos critérios adotados no shopping de marcas jurídicas.

O Selo Parceiro de Confiança Vem Ser Ágil surge como um instrumento simbólico e prático de reconhecimento, atribuído a marcas que demonstram alinhamento ético, coerência institucional e contribuição efetiva para o ecossistema jurídico. Mais do que um elemento visual, o selo representa um processo contínuo de observação e validação, ancorado em relações reais e experiências compartilhadas.

A criação do primeiro shopping de marcas jurídicas do Brasil deve ser compreendida, portanto, como um reflexo da maturidade do ecossistema jurídico. Trata-se de uma iniciativa que busca organizar a oferta existente, promover referências confiáveis e estimular escolhas mais qualificadas, contribuindo para um ambiente jurídico mais consciente, colaborativo e alinhado às demandas do presente e do futuro. Diante de um mercado cada vez mais complexo, não seria o momento de o próprio ecossistema jurídico assumir a responsabilidade de organizar, curar e qualificar suas referências?

Gleicy Michella de Souza Lima

VIP Gleicy Michella de Souza Lima

Pioneira na implantação de estruturas ágeis na Controladoria Jurídica e criadora da comunidade Vem Ser Ágil. Sócia do escritório Ivo Barboza Advogados & Associados. Gestora na área de controladoria jurídica e legal ops desde 2012. Colaboradora da Fenalaw Lab. Pós graduanda em gestão de escritórios e departamentos jurídicos pela Baiana Business School. Pós graduanda em gestão de projetos, jornada de clientes e metodologias ágeis pela PUCPR. Agile Master Jurídica pelo jurídico ágil. Membra da comissão de Gestao e inovação da OAB PE e PACC-A | BR | Professional Agile Coach Accredited pelo Agile institute Brasil (em curso).

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