É proibido sonhar no Brasil
JK é lembrado por modernizar o Brasil, cumprir metas de desenvolvimento e construir Brasília, enfrentando oposição e pagando alto preço político.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
Atualizado em 9 de janeiro de 2026 09:49
Aproxima-se a data em que JK completou setenta anos de sua permanência na presidência do Brasil!
E, como vivi “os anos dourados”, nada mais me proíbe de trazer aos contemporâneos o que me marcou, no coração, esse período, difícil e glorioso.
1 - JK foi coerente em o que pregou em sua campanha eleitoral, à Presidência da República, interiorização do país e desenvolvimento, propondo e, depois cumprindo, “cinquenta anos em cinco”.
Um pouco de história...
JK (1902-1976) galgou todos os andares que a vida lhe proporcionou, com dignidade e com galhardia, sobretudo humildade absorvida no Seminário de Mariana, os momentos adversos que sua trajetória lhe apresentou e confrontou. E tive ocasião, em 1966, na New York, fulgurante da época, de manter um respeitoso diálogo e ver, como as rugas, nos ensinam a ser disciplinados e pausados.
2 - Vivi como se comportou como prefeito de Belo Horizonte. Como alcaide, remodelou a cidade e empregou o talento de Oscar Niemeyer (1907-2012): encarregou-o do “Conjunto Arquitetônico da Pampulha”, que, aí está, para ser usufruído, por toda a população democraticamente, JK visava a modernização de BH (hoje está tombada a Pampulha).
3 - Vivi JK como governador de Minas Gerais. Embora médico, hábil político, venceu o consagrado Bias Fortes nas prévias do PSD para escolha do candidato do partido e, sendo eleito fincou seu governo em energia e transporte, criando a Cemig, investindo em rodovias (não se esqueça que a extensão territorial do Estado de Minas Gerais é bem maior que muitos países), cumprindo o que lhe foi capaz e possivel, num período (1951-1955), quando o Brasil teve o Governo de Getúlio Vargas sacudido por acontecimentos políticos, simplesmente vergonhosos (que pena Getúlio Vargas voltar à cena, quando já idoso, para atender reclames políticos).
4 - Vivi a eleição de JK na eleição disputada por vários candidatos de cores e ideologias políticas até contrastantes e que ele suplantou o general Juarez Távora, com margem folgada (1956-1961). Também, no exercido da Presidência, cumpriu sua promessa: interiorizar o país, levando a Capital para o sertão goiano, com a construção de Brasília. E que odisseia... Vivi, assistindo caminhões indo para a obra em progresso até carregar tijolos (correu notícias de materiais de construção serem transportados de avião).
Recordando que Niemeyer (1902-1998) compartilhou com Lucio Costa, arquiteto, urbanista e professor universitário (francês de nascimento).
5 - Vivi o governo de JK, na Presidência, açoitado pela agremiação partidária UDN - União Democrática Nacional, inconformada com a derrota nas urnas de seu candidato, general Juarez Távora.
Ressalto que a UDN sabia fazer, como fez, oposição guiada por experientes e talentosos políticos, ao longo de sua existência gremial (1945-1965), tendo realce Carlos de Lacerda, mas também havia liberais, como os irmãos Virgílio Arinos de Melo Franco e Afonso Arinos de Melo Franco, Milton Campos e Odílio Braga (grandes caciques da política mineira).
6 - Vivi, por fim a tragédia que JK participou, porque a Revolução de 1964 via nele um adversário de gabarito e que, mesmo sendo eleito senador por Goiás (1961-1964), foi caçado e exilado. Voltou, espontaneamente, ao Brasil, para retornar em seguida ao exterior, uma vez que não estava mais confortável no país. Deixo gravado que JK teve ligação histórica com Goiás, quando candidato prometeu e cumpriu construir Brasília.
Então sobram motivos para recordar o “presidente bossa nova” (Juca Chaves), que teve no poeta Augusto Frederico Schimdt criador do slogan “cinquenta anos em cinco" e, ofereceu um plano de metas realista, com 31 metas verticais, ressaltando energia, transporte, educação, indústria de base, e, com a construção da nova capital, a meta mais importante.
E JK sonhou e seus sonhos foram dourados, mas pagou o preço de ser patriota e colocar o Brasil acima de qualquer outra consideração.
Jayme Vita Roso
Advogado.



