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Reforma tributária do consumo entra em fase de implementação

Reforma tributária do consumo avança com lançamento do programa que inicia sua implementação. Ministério da Fazenda, Receita Federal e Serpro criam base tecnológica para a CBS aprovada pelo Congresso.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Atualizado às 11:47

O que é a reforma tributária do consumo

A reforma tributária do consumo integra a reorganização do sistema tributário brasileiro voltada à simplificação da tributação sobre o consumo e ao aumento de transparência. Na prática, ela busca reduzir complexidade operacional, diminuir litígios e oferecer maior previsibilidade para empresas e para o Estado.

Entre os objetivos mais associados a essa mudança, destacam-se:

  • Simplificação e padronização de rotinas fiscais;
  • Redução de disputas e custos com contencioso tributário;
  • Maior transparência na formação de preços e no destaque de tributos;
  • Modernização tecnológica da administração tributária.

Início da implementação da reforma tributária

O lançamento do programa marca o começo da fase operacional da reforma, com foco na infraestrutura digital tributária. A proposta é unificar e modernizar processos, permitindo que empresas e o Fisco operem com mais integração, segurança e rastreabilidade.

Essa nova infraestrutura tem como premissas:

  • Capacidade de processar grandes volumes de operações em escala nacional;
  • Padronização de processos e validações;
  • Redução de custos de sistemas e de conformidade (compliance) para empresas;
  • Maior previsibilidade e redução de litígios ao longo do tempo.

Adaptação das empresas: Período educativo e fase de testes

A transição para os novos tributos sobre o consumo começa com um período educativo, sem aplicação de penalidades, para que as empresas consigam adaptar sistemas e processos às novas exigências.

2026 como ano de testes

O ano de 2026 é considerado um período de testes da reforma tributária. Nessa fase:

  • As empresas poderão testar os novos sistemas após a publicação do regulamento;
  • Não haverá autuações no início do processo;
  • Notas emitidas sem os novos campos não deverão ser rejeitadas no primeiro momento.

Alíquotas-teste de CBS e IBS

Após o período inicial de adaptação, empresas de maior porte passarão a informar nas notas fiscais os valores correspondentes às alíquotas-teste, com caráter meramente informativo:

  • CBS: 0,9% (informativa);
  • IBS: 0,1% (informativa).

O destaque em nota é suficiente para o objetivo dessa fase, sem recolhimento. A proposta é testar sistemas, validar processos e subsidiar o cálculo das alíquotas definitivas, buscando manter a carga tributária agregada.

Para o consumidor, o destaque informativo não tem objetivo de alterar preços neste momento. Empresas do Simples Nacional e MEI - microempreendedores individuais não precisam cumprir essa obrigação no primeiro estágio.

Portal da reforma tributária

Um marco relevante da reforma tributária do consumo é o portal da reforma tributária, desenvolvido em parceria entre Serpro e Receita Federal, com acesso via GOV.BR. A plataforma concentra funcionalidades voltadas à apuração e ao acompanhamento de tributos, como:

  • Calculadora de tributos;
  • Apuração assistida;
  • Declaração pré-preenchida;
  • Monitoramento em tempo real de valores a pagar e créditos a receber.

A expectativa é que a plataforma opere em escala nacional e com alta capacidade de processamento, servindo como base para o novo modelo de tributação do consumo.

Impactos esperados para o ambiente de negócios

A implementação da reforma tende a impactar rotinas fiscais, sistemas e governança tributária nas empresas. Entre os efeitos esperados estão:

  • Redução de custos operacionais com manutenção de múltiplos sistemas;
  • Melhoria na rastreabilidade e padronização de informações fiscais;
  • Redução de litígios em função de processos mais integrados e transparentes;
  • Maior previsibilidade para planejamento tributário e financeiro.

A importância do acompanhamento técnico

A transição para a reforma tributária do consumo exige acompanhamento contínuo das áreas contábil, fiscal e tecnológica. Para reduzir riscos na adaptação, é recomendável:

  • Monitorar a regulamentação e os prazos de implementação;
  • Mapear impactos em emissão de documentos fiscais e escrituração;
  • Planejar ajustes de sistemas e integrações necessárias;
  • Organizar governança e trilhas de conformidade durante a fase de testes.

Conclusão

A reforma tributária do consumo entra em uma nova etapa com o início da sua implementação prática. Mais do que uma mudança de tributos, o projeto representa uma transformação digital do sistema fiscal brasileiro, com impactos diretos na forma como empresas apuram, declaram e acompanham seus tributos.

Keila Martins de Almeida

VIP Keila Martins de Almeida

Especialista em atividade financeira da Contabilizaibank.

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