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Bell Hooks: Uma grande mulher!

Este artigo compartilha a experiência de leitura da autora acerca da obra da escritora Bell Hooks (o conjunto dela), especialmente as suas impressões, aprendizados e significados.

terça-feira, 17 de março de 2026

Atualizado às 10:55

O repertório autoral de Bell Hooks, Gloria Jean Watkins, impacta não somente na formação ativista (de composição mais abrangente) mas, especialmente, na formação de educadores(as) e da militância negra feminista.

Bell Hooks é um pseudônimo, uma homenagem afetuosa à sua bisavó materna, o que ressalta a coerência de seu discurso. A conexão com a ancestralidade, mais do que um reconhecimento justo àqueles que nos prepararam o caminho, é um ato de resistência, especialmente das mulheres negras cujas histórias e vozes foram apagadas e silenciadas.

Ancestralidade é sustentação e força, igualmente, história, identidade e resistência. A autora nos desperta para a necessidade de confrontarmos o racismo sob diferentes prismas e seu entrecruzamento com outras formas de opressão em suas interseccionalidades. Para Bell Hooks, essas opressões são institucionalizadas em diferentes espaços por meio das "ideologias denominação". A vassalagem é parte dessa engrenagem porque a insurgência é estruturalmente reprimida.

Por essa compreensão, a raça é o epicentro das opressões sociais (opressão de classe, etarista, de gênero, de orientação sexual dentre outras formas). São fenômenos recorrentemente interconectados.

Ocorre que o nosso olhar fragmenta e hierarquiza essas "partes" de realidade. Aliás, em nossas análises sempre fracionamos os espaços, os fatos, inclusive a própria vida, como se fôssemos pessoas diferentes habitando o mesmo corpo. Os recortes viesados da realidade impedem a percepção do todo, contribuindo para a promoção dessa lógica maniqueísta de ler os fenômenos sociais e o mundo tão presente em nossa dinâmica social.

A sociedade, cada vez, mais mergulha no raso. Essa reflexão talvez explique fenômenos como o territorialismo hostil entre colegas no ambiente de trabalho e a perda da referência do outro em sua complexa humanidade.

A performance social tornou-se uma exigência não necessariamente vocalizada, um parâmetro de sucesso e ingrediente essencial da felicidade. Pois é, os textos de Bell Hooks promovem esses deslocamentos reflexivos (pensamento em movimento).

A obra dessa grande mulher me atinge de diferentes maneiras. Usei o verbo no tempo presente porque sempre retorno à leitura de seus livros. A minha identificação é genuína.

Palavras carregam vibrações. As palavras de Bell Hooks vibram esperança, amor (como escolha consciente), pertencimento, respeito às conexões ancestrais, justiça social e ânimo para enfrentamento ao racismo, pertenças fundamentais a uma militância consciente, responsável e comprometida. São palavras com significado afetivo, que carregam um convite à reflexão e diálogo propositivo. A palavra pavimenta o caminho para a ação. Viva Bell Hooks! Leiam Bell Hooks!

Yumara Lúcia Vasconcelos

VIP Yumara Lúcia Vasconcelos

Membra da Comissão de Direitos humanos Don Hélder Câmara, pós doutora em Direitos humanos, doutora em Administração, mestre em Ciências Contábeis, bacharela em Direito e Ciências Contábeis.

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