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Março lilás: Prevenção ao câncer de colo do útero e o direito ao tratamento adequado

Conheça a prevenção e o direito ao tratamento do câncer de colo de útero.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Atualizado às 16:31

Introdução 

Todo mês de março é marcado pela campanha Março Lilás, dedicada à conscientização e à prevenção do câncer de colo do útero. A iniciativa tem um objetivo claro: informar as mulheres sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento adequado.

Embora seja um tipo de câncer que pode ser prevenido e detectado precocemente, muitas mulheres ainda descobrem a doença em estágios mais avançados. Isso acontece, em grande parte, por falta de informação, dificuldade de acesso aos exames ou atraso no início do tratamento.

Por isso, falar sobre prevenção e sobre os direitos da paciente é fundamental. Além das medidas preventivas, também é importante saber que, quando o tratamento é necessário, medicamentos modernos podem ser obtidos pelo SUS ou pelos planos de saúde, inclusive por meio da Justiça quando há negativa de cobertura.

O que é o câncer de colo do útero e por que a prevenção é tão importante

O câncer de colo do útero é um tumor que se desenvolve na parte inferior do útero e, na maioria dos casos, está relacionado à infecção persistente pelo HPV (papilomavírus humano), um vírus transmitido principalmente por contato sexual.

A boa notícia é que esse é um dos tipos de câncer com maior possibilidade de prevenção, principalmente quando algumas medidas são adotadas de forma regular.

Entre as principais formas de prevenção estão:

Vacinação contra o HPV

A vacina é oferecida gratuitamente pelo SUS - Sistema Único de Saúde para meninas e meninos, geralmente entre 9 e 14 anos. A imunização protege contra os tipos de HPV mais associados ao câncer.

Exame preventivo (Papanicolau)

O exame ginecológico (conhecido popularmente como Papanicolau) é essencial para identificar alterações nas células do colo do útero antes que elas se transformem em câncer. Quando essas alterações são detectadas cedo, o tratamento costuma ser simples e com altas chances de cura.

Acompanhamento médico regular

Consultas periódicas com ginecologista ajudam a identificar sintomas ou alterações precocemente, aumentando as chances de sucesso no tratamento.

Muitas vezes, o câncer de colo do útero não apresenta sintomas no início, o que torna a prevenção e o rastreamento ainda mais importantes.

Quando o diagnóstico acontece: A importância do acesso ao tratamento

Quando o câncer de colo do útero é diagnosticado, o tratamento pode envolver diferentes abordagens, como cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou terapias mais modernas, dependendo do estágio da doença.

Nos últimos anos, a medicina tem avançado bastante, trazendo novas opções terapêuticas que podem melhorar a resposta ao tratamento e aumentar a sobrevida dos pacientes.

Um exemplo é o pembrolizumabe, um medicamento de imunoterapia que ajuda o próprio sistema imunológico do paciente a combater as células cancerígenas.

Esse tipo de tratamento vem sendo utilizado em alguns casos de câncer de colo do útero, especialmente em situações mais avançadas da doença ou quando indicado pelo médico responsável pelo acompanhamento da paciente.

Estudos científicos demonstraram que a combinação da imunoterapia com outros tratamentos pode melhorar o controle da doença e aumentar o tempo de sobrevida, trazendo novas perspectivas para pacientes que enfrentam esse diagnóstico.

O medicamento pembrolizumabe e o tratamento do câncer de colo do útero

O pembrolizumabe, também conhecido comercialmente como Keytruda, é um medicamento de imunoterapia aprovado pela Anvisa - Agência Nacional de Vigilância Sanitária para o tratamento de diversos tipos de câncer, incluindo o câncer de colo do útero.

Esse medicamento atua estimulando o sistema imunológico do paciente a reconhecer e combater as células tumorais, algo que o organismo muitas vezes não consegue fazer sozinho.

Em alguns casos de câncer cervical, o medicamento pode ser utilizado em associação com outros tratamentos, como a quimioterapia ou a radioterapia, quando há indicação médica.

Essa combinação terapêutica tem sido estudada em pesquisas internacionais e tem mostrado resultados positivos na redução da progressão da doença em determinados pacientes.

No entanto, por se tratar de um medicamento de alto custo, muitas pacientes enfrentam dificuldades para conseguir acesso ao tratamento.

É possível conseguir o medicamento pelo SUS ou pelo plano de saúde?

Sim. Quando existe indicação médica fundamentada, o paciente pode ter direito ao fornecimento do tratamento tanto pelo SUS quanto pelo plano de saúde.

No caso dos planos de saúde, a legislação brasileira determina que os tratamentos necessários para o combate ao câncer devem ser cobertos pelas operadoras. Mesmo quando o medicamento não está listado no rol da ANS, ainda pode haver obrigação de cobertura, principalmente quando há prescrição médica e comprovação científica da eficácia do tratamento.

Já no SUS - Sistema Único de Saúde, quando o medicamento indicado não está disponível administrativamente, é possível buscar o fornecimento por meio de ação judicial.

Na prática, muitas pacientes conseguem acesso a tratamentos mais avançados, como o pembrolizumabe, após decisão judicial baseada na prescrição médica e na comprovação da necessidade do tratamento.

O que fazer quando o tratamento é negado

Infelizmente, não é raro que pacientes recebam negativas do plano de saúde ou encontrem dificuldades no acesso a determinados medicamentos pelo SUS.

Quando isso acontece, algumas medidas podem ajudar:

  • Solicitar ao médico um relatório detalhado explicando a necessidade do medicamento.
  • Pedir a negativa por escrito, caso haja recusa de fornecimento.
  • Reunir exames, relatórios e documentos médicos que comprovem o diagnóstico e a indicação do tratamento.
  • Procurar orientação jurídica especializada em direito à saúde.

Cada caso precisa ser analisado individualmente, mas muitas decisões judiciais já reconheceram o direito dos pacientes ao acesso a tratamentos oncológicos prescritos pelo médico.

Informação e prevenção salvam vidas

O Março Lilás é um momento importante para reforçar que o câncer de colo do útero pode, em muitos casos, ser evitado com medidas simples como vacinação, exames preventivos e acompanhamento médico regular.

Ao mesmo tempo, é essencial que as mulheres saibam que, diante de um diagnóstico, existem tratamentos avançados e direitos para buscar acesso ao cuidado necessário.

Informação, prevenção e acesso ao tratamento adequado são três pilares fundamentais para reduzir o impacto dessa doença e salvar vidas.

Se houver necessidade de tratamento e dificuldades no acesso aos medicamentos indicados, buscar orientação médica e jurídica pode ser um passo importante para garantir o cuidado adequado.

Ludmila Freitas Ferraz

VIP Ludmila Freitas Ferraz

Advogada especialista em Saúde que luta pelos direitos do pacientes contra as abusividades dos Planos e do SUS. Secretária Geral da Comissão Estadual de Direito da Saúde e Direito Médico da OAB/MT.

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