Emissão de notas fiscais com IBS e CBS avança na fase de testes
A emissão de notas com IBS e CBS já começou. Empresas avançam na transição e precisam adequar sistemas, cadastros e rotinas fiscais ao novo modelo tributário em 2026.
quinta-feira, 13 de agosto de 2026
Atualizado às 14:25
O que muda na emissão de notas fiscais com IBS e CBS
Com o início da fase de testes, as empresas devem passar a destacar, de forma informativa, os novos tributos sobre o consumo:
- CBS (Contribuição sobre bens e serviços)
- IBS (Imposto sobre bens e serviços)
Nesse período, as empresas não recolhem os tributos, mas utilizam os valores informados como base para definir a alíquota-padrão que entrará em vigor a partir de 2027.
Números iniciais da fase de testes
Nos primeiros dias do ano, a Receita Federal registrou cerca de 1,7 milhão de notas fiscais emitidas com CBS e IBS destacados. O número é reduzido quando comparado ao total de aproximadamente 94,7 milhões de notas fiscais emitidas no mesmo período.
Segundo a administração tributária, esse cenário já era esperado, principalmente em razão:
- Do atraso na aprovação da regulamentação da reforma tributária;
- Da fase de testes ainda ser facultativa em alguns casos;
- Da necessidade de adaptação gradual dos sistemas das empresas e dos entes federativos.
Emissão da NFS-e e desafios dos municípios
Adesão ao modelo nacional da NFS-e
Entre os principais pontos de atenção está a NFS-e - Nota Fiscal de Serviços Eletrônica. Embora a maioria dos municípios já tenha aderido ao ambiente nacional de dados, parte deles ainda enfrenta dificuldades para:
- Adequar seus leiautes próprios;
- Configurar corretamente o emissor nacional da NFS-e;
- Integrar sistemas locais ao novo modelo.
Dados oficiais indicam que pouco mais de uma centena de municípios ainda não havia aderido plenamente à emissão da NFS-e no início do ano.
Destaque facultativo no início
No caso específico da NFS-e, o destaque do IBS e da CBS será inicialmente facultativo, permitindo:
- Adaptação progressiva dos sistemas;
- Treinamento das equipes envolvidas;
- Geração de bases de dados mais consistentes.
Obrigações acessórias e ausência de penalidades
Durante a fase de testes, ficou definido que:
- Não haverá punições para contribuintes que ainda não emitirem notas com IBS e CBS destacados;
- As sanções só poderão ser aplicadas após o prazo legal contado da publicação dos regulamentos;
- A multa futura por descumprimento de obrigação acessória poderá chegar a 1% do valor da operação.
Esse período de transição busca evitar penalidades prematuras e permitir ajustes técnicos e operacionais.
Por que a emissão de notas fiscais com IBS e CBS é estratégica
Apesar de não haver recolhimento imediato, a correta emissão de notas fiscais com IBS e CBS é fundamental para:
- Testar sistemas e ERPs;
- Identificar falhas de parametrização;
- Revisar cadastros fiscais e códigos (NCM, NBS, cClasTrib);
- Simular impactos financeiros e operacionais;
- Preparar a empresa para 2027, quando a cobrança terá início.
Empresas que não utilizarem 2026 para realizar esses testes correm o risco de enfrentar dificuldades operacionais e perda de previsibilidade tributária no futuro.
Importância do acompanhamento contábil especializado
A adaptação ao novo sistema tributário vai além da emissão de documentos fiscais. Ela envolve análise de processos, contratos, cadeia de fornecedores e controle de informações que impactarão diretamente o aproveitamento de créditos e o fluxo de caixa das empresas.
A emissão de notas fiscais com IBS e CBS marca o início prático da transição para o novo sistema tributário. Mesmo em fase de testes, esse processo exige atenção, planejamento e ajustes técnicos por parte das empresas. Utilizar 2026 como ano de preparação será decisivo para reduzir riscos e garantir conformidade quando a cobrança efetiva começar.
