quarta-feira, 23 de setembro de 2020

MIGALHAS DE PESO

Cortesia com o chápeu alheio

Mais uma vez, o Brasil se vê frente a frente com um problema envolvendo nossos vizinhos sul-americanos. Depois das querelas e dos prejuízos causados pela Bolívia à Petrobras, e os arrufos e fanfarronices do Hugo Chávez da Venezuela, nem bem eleito o ex-bispo católico Fernando Lugo, novo presidente do Paraguai, já começa a querer renegociar o que foi pactuado e assinado com Itaipu.


Cortesia com o chapéu alheio

Sylvia Romano*

Mais uma vez, o Brasil se vê frente a frente com um problema envolvendo nossos vizinhos sul-americanos. Depois das querelas e dos prejuízos causados pela Bolívia à Petrobras, e os arrufos e fanfarronices do Hugo Chávez da Venezuela, nem bem eleito o ex-bispo católico Fernando Lugo, novo presidente do Paraguai, já começa a querer renegociar o que foi pactuado e assinado com Itaipu.

Este contrato havido entre o Paraguai e o Brasil tem um prazo até 2023 para ser renegociado. E o mandatário paraguaio já quer, num ato pra lá de populista, "roer a corda" e impor novas regras. Segundo sua alegação, em função de hoje o dólar estar meio desvalorizado, o Paraguai está tendo um grande prejuízo. Pergunto: Por que quando esta mesma moeda estava valendo pelo menos o dobro do que hoje ninguém se manifestou a favor ou contra uma mudança no contrato? O Paraguai por motivos óbvios ficou calado e o Brasil honrando o contrato, ficou no prejuízo. Agora que a situação é outra começam a choradeira e as acusações contra o "imperialismo" brasileiro.

Itaipu é hoje responsável por 19% da energia consumida no Brasil e 91% do consumo paraguaio. Mas praticamente todo o investimento na obra ficou a cargo de nosso país e o investimento dos nossos vizinhos seria pago em 40 anos, com a venda da energia aos brasileiros. Será que para a revisão desse contrato os valores investidos não deverão ser atualizados também? E o Paraguai, o que fará com os 50% da energia a que tem direito se não tem como consumi-la?

Acho os nossos vizinhos um povo muito simpático, já cheguei a escrever um artigo, pelo qual até fui criticada ao defendê-los na questão da guerra do Paraguai, mas, como dizia minha avó, o que é tratado não é caro e contratos têm de ser respeitados, não se mudando as regras do jogo durante a partida. Só espero que o nosso maior governante, visando o seu sonho de liderança na América Latina, não ceda a mais este reclamo do vizinho fazendo cortesia com o chapéu alheio. Pois, se isto vier a acontecer o pobre e endividado do consumidor brasileiro é quem deverá, mais uma vez, pagar a conta e, desta vez, será a de luz.

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*Advogada do escritório Sylvia Romano Consultores Associados










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Atualizado em: 1/1/1900 12:00

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