quinta-feira, 24 de setembro de 2020

MIGALHAS DE PESO

O Dia Nacional da Adoção

Foi no longínquo dia 8 de maio de 1993, em um sábado que antecedia o dia das mães, que nasceu o Grupo de Apoio à Adoção de Rio Claro. Germinou do feliz encontro de grandes mulheres e mães, que tinham a necessidade de conversar, compartilhar experiências e dúvidas sobre a forma que escolheram de serem mães.


O Dia Nacional da Adoção

Peterson Santilli*

Foi no longínquo dia 8 de maio de 1993, em um sábado que antecedia o dia das mães, que nasceu o Grupo de Apoio à Adoção de Rio Claro. Germinou do feliz encontro de grandes mulheres e mães, que tinham a necessidade de conversar, compartilhar experiências e dúvidas sobre a forma que escolheram de serem mães.

Não satisfeitas, queriam compartilhar o parto deste novo "fruto", com mais pessoas, e dividir com elas todos esses sentimentos, alegrias, tristezas e dificuldades que vinham com a adoção. Tiveram a garra e a coragem de buscarem ajuda de outros grupos de apoio à adoção, espalhados por este rincão brasileiro.

Em 1996, enquanto o Grupo engatinhava, os voluntários do ADOTE, organizaram o I Encontro Nacional de Associações e Grupos de Apoio à Adoção, que ocorreu nos dia 24 e 25 de maio, em Rio Claro- SP, hoje na sua 13ª edição.

Deste encontro nacional, nasceram várias propostas importantes para a adoção no país, dentre elas, a formalização das iniciativas de apoio à adoção, incentivo ao aumento da literatura e de pesquisas sobre o tema, intercâmbio entre os diversos grupos, incentivo a criação de novos grupos de apoio à adoção e por último a criação da Lei que reconheceria o dia 25 de maio como sendo o dia nacional da adoção. Após seis anos, nasceu oficialmente o Dia Nacional da Adoção, através da promulgação da Lei Federal n°. 10.447 de 9 de maio de 2002 (clique aqui).

Dia este que deve chamar a atenção da sociedade como um todo, diante da realidade de milhares de crianças e adolescentes, que embora tenham direito de conviver em família, garantido em Lei pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, vivem em abrigos, crescendo sem a proteção e a atenção necessárias ao seu novos pleno desenvolvimento, que somente uma família pode proporcionar.

Dia em que a sociedade e o Estado devem refletir o desenvolvimento de novas políticas públicas dando ênfase a construção de uma nova cultura, em que a adoção deixe de ser vista apenas como uma alternativa para dar filhos a quem não os podem gerar, mas sim, dar uma família a essas crianças e adolescentes que encontram-se destituídos deste seu direito de convivência familiar e comunitária.

É um dia para refletirmos o papel de cada um de nós como cidadãos. O que estamos fazendo individualmente e coletivamente, em prol dessas crianças e adolescentes abrigados em nosso país?

É um dia para lutarmos pela mudança na idéia pré-concebida, de que só vale a pena adotar criança recém-nascida ou com poucos meses de vida. De que a adoção de crianças maiores é muito problemática. De que a adoção inter-racial não é bem vista pelos olhos da sociedade.

Enfim, é um dia para discutirmos e refletirmos como devemos nos colocar como pessoa e cidadão, refletirmos sobre nossos preconceitos, e lutarmos pelo que entendemos ser o melhor para todos nós como cidadãos, lembrando que estas crianças e adolescentes que hoje encontram-se abrigados sem qualquer perspectiva de futuro, também serão em um futuro próximo, cidadãos como nós.

Contudo, é de se ressaltar que nesta data, temos muito a comemorar, pois no campo político, foram muitas as conquistas neste ano. Cabe ressaltar a implantação do cadastro nacional de adoção, que em tese vai facilitar o confronto de informações, dos pretendentes com as crianças disponíveis à adoção, pelas milhares de Varas de Infância e Juventude espalhadas pelo país a fora. Além disso, o cadastro proporcionará, para a sociedade, um panorama, uma "fotografia" da adoção no país, pois nos será possível saber qual o perfil dos pretendentes à adoção existente na atualidade, bem como o perfil da criança destituída do poder familiar, e apta à adoção.

Ainda neste ano, é possível ser votado na Câmara dos Deputados, o Projeto que institui a Lei Nacional da Adoção. Este projeto propõe sérias mudanças na legislação em vigor, garantindo como direito à criança e adolescente a sua adoção, e impõe prazos específicos para o abrigamento dessas crianças e adolescentes, além de agilizar e priorizar o processo de adoção e de destituição do poder familiar.

Muito foi conquistado, contudo muito se tem a conquistar, principalmente, na necessidade de se buscar novos instrumentos de reflexão sobre essa problemática.

Por último, gostaria de destacar que, o que transforma uma pessoa filho de alguém, não é apenas o ato de ter gerado, mas sim escolhê-lo como filho, amando-o e respeitando-o, ou seja, adotando-o como filho, uma vez que adotar é escolher.

___________

*Advogado, presidente do ADOTE - Grupo de Apoio à Adoção de Rio Claro





_____________

Atualizado em: 1/1/1900 12:00

Compartilhar

AUTORES MIGALHAS

Busque pelo nome ou parte do nome do autor para encontrar publicações no Portal Migalhas.

Busca

É Autor Migalhas? Faça seu login aqui

AUTORES MIGALHAS

Fábio Appendino

Fábio Appendino

Migalheiro desde 2006

Luis Gustavo Miranda

Luis Gustavo Miranda

Migalheiro desde 2009

Natália Miranda Sadi

Natália Miranda Sadi

Migalheira desde 2010

Ticiane Moraes Franco

Ticiane Moraes Franco

Migalheira desde 2019

HOANNA LEWKOWICZ

HOANNA LEWKOWICZ

Migalheira desde 2019

Fábio Roberto Gaspar

Fábio Roberto Gaspar

Migalheiro desde 2019

Breno Casiuch

Breno Casiuch

Migalheiro desde 2016