quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

aspas

O gato é o amigo e o companheiro natural do escritor: ele ama o silêncio e o recolhimento do estudo: apraz- -lhe o monótono ranger da pena sobre a aspereza do papel; acompanha discretamente o rumor da escrita com o do seu respiro gutural. Quando se não escreve mais ele acorda. Compreende perfeitamente que há uma relação de analogia, uma afinidade entre a mão que escreve e a cabeça que medita sobre a página: somente, como não explica essa correlação, nas noites em que não tem sono e em que assiste ao nosso trabalho sentado em um livro sobre a banca, mete de quando em quando a pata no espaço que existe entre a pena e a fronte, e palpa devagarinho se não há uma linha, uma ficelle invisível, entre a mão e o cérebro.

O gato é o amigo e o companheiro natural do escritor: ele ama o silêncio e o recolhimento do estudo: apraz- -lhe o monótono ranger da pena sobre a aspereza do papel; acompanha discretamente o rumor da escrita com o do seu respiro gutural. Quando se não escreve mais ele acorda. Compreende perfeitamente que há uma relação de analogia, uma afinidade entre a mão que escreve e a cabeça que medita sobre a página: somente, como não explica essa correlação, nas noites em que não tem sono e em que assiste ao nosso trabalho sentado em um livro sobre a banca, mete de quando em quando a pata no espaço que existe entre a pena e a fronte, e palpa devagarinho se não há uma linha, uma ficelle invisível, entre a mão e o cérebro.
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REFERÊNCIA
Trecho retirado do livro "As Farpas. S. João do Estoril: Principia, 2004."
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