O desgraçado, que vive todos os dias em contato com o dinheiro, pensa que o hábito já o vacinou infalivelmente contra os assaltos da cobiça: e é de ver o soberano desdém com que ele trata essas riquezas, atirando-as brutalmente ao fundo das gavetas ou dos cofres, contando-as à pressa como se tivesse nojo de as estar contando, olhando-as com rancor, e indo logo lavar as mãos para se libertar da infecção das moedas e das notas.