Migalhas

Terça-feira, 7 de abril de 2020

ISSN 1983-392X

Proposta

Câmara aprova, em 1º turno, PEC que amplia direitos de trabalhadores domésticos

Data de votação da PEC em segundo turno ainda não foi definida.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O plenário da Câmara aprovou nesta quarta-feira, 21, em primeiro turno, por 359 votos a 2, a PEC 478/10, que amplia os direitos trabalhistas de domésticas, babás, cozinheiras e outros trabalhadores em residências. A matéria, de autoria do deputado Carlos Bezerra, ainda será votada pela Câmara em segundo turno, antes de ser encaminhada ao Senado.

O texto estende às domésticas 16 direitos já assegurados aos demais trabalhadores urbanos e rurais contratados pelo regime da CLT:

  • proteção contra despedida sem justa causa;
  • seguro-desemprego;
  • FGTS - Fundo de Garantia do Tempo de Serviço;
  • garantia de salário mínimo, quando a remuneração for variável;
  • adicional noturno;
  • proteção do salário, constituindo a sua retenção dolosa um crime;
  • salário-família;
  • jornada de trabalho de oito horas diárias e 44 horas semanais;
  • hora-extra;
  • redução dos riscos do trabalho;
  • creches e pré-escola para filhos e dependentes até 6 anos de idade;
  • reconhecimento dos acordos e convenções coletivas;
  • seguro contra acidente de trabalho;
  • proibição de discriminação de salário, de função e de critério de admissão;
  • proibição de discriminação em relação à pessoa com deficiência;
  • proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de 16 anos.

A PEC prevê que uma regulamentação futura determine as condições para o cumprimento desses direitos.

A relatora da proposta é a deputada Benedita da Silva.

Opiniões

O deputado Jair Bolsonaro criticou a proposta que, na sua avaliação, vai encarecer o custo das domésticas e desestimular os empregadores. "Pela PEC, eu vou ter de pagar creche para a babá do meu filho. A massa de trabalhadores do Brasil não tem como pagar isso", disse.

Já para a deputada Fátima Bezerra, o projeto faz justiça social. "É uma legislação inclusiva, que caminha para uma reparação histórica", disse.

Entrada em vigor

Dos 16 direitos previstos, alguns poderão entrar em vigor de imediato após a promulgação da PEC, como a jornada de trabalho de 44 horas semanais, hora extra e proibição de trabalho de menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz com o mínimo de 14 anos.

Também terão aplicação imediata, se a PEC for promulgada, o direito a ter reconhecidas as convenções e acordos coletivos, a proibição de reter dolosamente o salário, além da proibição de diferença nos salários por motivo de sexo, idade ou cor.

Outros direitos, como o FGTS, seguro-desemprego, salário-família e seguro contra acidentes de trabalho, ainda precisariam de regulamentação.

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