MIGALHAS QUENTES

  1. Home >
  2. Quentes >
  3. Esperança Garcia: Primeira advogada do Brasil era negra e escravizada
Advogada mulher

Esperança Garcia: Primeira advogada do Brasil era negra e escravizada

A piauiense assume o título que até então pertencia a Myrthes Gomes, a qual ingressou na advocacia em 1899.

Da Redação

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

Atualizado em 26 de novembro de 2022 08:27

Nesta sexta-feira, 25, o Conselho Pleno da OAB Nacional reconheceu Esperança Garcia como a primeira advogada brasileira. Ela foi uma mulher negra escravizada no século XVIII, no município de Oeiras, no Centro Sul do Piauí, que lutou contra a situação a qual ela e outras pessoas foram submetidas.

O pedido de reconhecimento foi feito na gestão 2019-2022, pela então presidente da CNMA - Comissão Nacional da Mulher Advogada, Daniela Borges, e a então presidente da CNPI - Comissão Nacional de Promoção da Igualdade da OAB, Silvia Cerqueira. Ambas fizeram o requerimento em nome da história de Esperança Garcia. 

 (Imagem: Reprodução/OAB)

Esperança Garcia é reconhecida a primeira advogada brasileira pelo Conselho Pleno da OAB.(Imagem: Reprodução/OAB)

O anúncio foi feito pelo presidente da OAB, Beto Simonetti, durante a sessão do Conselho Pleno realizada nesta manhã. 

“Mulher negra e escravizada peticionou, com o pouco conhecimento que tinha, das letras da lei, ao governador da capitania do Piauí para denunciar as violências pelas quais ela, suas companheiras e seus filhos passavam. A decisão é absolutamente oportuna, especialmente pela simbologia do mês de novembro, em que se comemora no dia 20 o Dia da Consciência Negra”, afirmou Simonetti.

hasIntagram

Ele reforçou, ainda, que a OAB promove a campanha Novembro Preto, com o objetivo de falar sobre os avanços e impactos das questões raciais. 

“Que Esperança Garcia seja reconhecida como a primeira advogada brasileira. Para homenagear a história de Esperança Garcia, nada mais justo que reconheçamos agora a importância e declarar que ela é, sim, a primeira advogada do Brasil.”

Na ocasião, conselheiros federais e direção nacional da Ordem aplaudiram de pé a notícia. 

Valores democráticos

A conselheira de SP, Silvia Souza, afirmou que a decisão da Ordem representa um passo na reparação histórica devida à população negra por todo o alijamento e apagamento histórico que sofre desde a escravidão. "Hoje toda comunidade negra, em especial as mulheres negras, estão sendo honradas pelo reconhecimento pela história e memória de Esperança Garcia", disse a conselheira. 

Segundo ela, a "gestão da OAB está alinhada com os valores democráticos, com a inclusão e diversidade e é muito importante que continuemos avançando, ampliando dentro do sistema OAB as ações afirmativas de paridade de gênero e equidade racial"

Biografia

Esperança Garcia foi uma mulher negra escravizada reconhecida, em 2017, pela OAB-PI, como a primeira advogada piauiense. Em 6 de setembro de 1770, ela escreveu uma petição ao governador da Capitania em que denunciava as situações de violências pelas quais crianças e mulheres passavam e pedia providências. A data foi instituída como o Dia Estadual da Consciência Negra, em 1999. 

O documento histórico é uma das primeiras cartas de direito de que se tem notícia. É um símbolo de resistência e ousadia na luta por direitos no contexto do Brasil escravocrata no século 18 – mais de 100 anos antes de o Estado brasileiro reconhecê-los formalmente. Sabe-se que Esperança nasceu em 1751, no Piauí, mas não se sabe a data de sua morte.

O reconhecimento da importância dela feito pela seccional do Piauí teve como ato fundamental a atuação do movimento negro do estado e da Comissão Estadual da Verdade da Escravidão Negra da Ordem do Piauí, então presidida pela professora Maria Sueli Rodrigues. À época, foi produzido o “Dossiê Esperança Garcia: Símbolo de Resistência na Luta pelo Direito”, que resultou no ato simbólico, 247 anos depois da carta, também chamada de "o primeiro HC do Brasil". 

O dossiê destaca que, ainda que na época não existisse direito formalmente constituído como na CF/88, a carta tem natureza jurídica, uma vez que adota caráter de petição. Esperança demonstra conhecer a função das autoridades, do poder exercido pelo governador na época e dos seus poucos direitos.

Possivelmente, Esperança Garcia aprendeu a ler e escrever português com padres jesuítas. Após a expulsão da congregação do Brasil, pelo marquês de Pombal, e a passagem da fazenda para outros senhores de escravos, ela foi transferida para terras do capitão Antônio Vieira de Couto. Longe do marido e dos filhos maiores, usou a escrita como forma de luta para reivindicar uma vida com dignidade.

A carta foi encontrada em 1979 no arquivo público do Piauí, pelo pesquisador e historiador Luiz Mott.

Informações: OAB.

Patrocínio

Patrocínio

FREDERICO SOUZA HALABI HORTA MACIEL SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA

FREDERICO SOUZA HALABI HORTA MACIEL SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA

ADRIANA MARTINS SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA
ADRIANA MARTINS SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA

Nosso escritório é formado por uma equipe de advogados especializados, nas áreas mais demandas do direito, como direito civil, trabalhista, previdenciário e família. Assim, produzimos serviços advocatícios e de consultoria jurídica de qualidade, com muito conhecimento técnico e jurídico. A...