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Equidade racial

CNJ lança protocolo para julgamento com perspectiva racial

Resolução busca combater racismo e promover equidade no Judiciário.

Da Redação

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Atualizado em 21 de novembro de 2024 08:43

O CNJ aprovou o protocolo para julgamento com perspectiva racial, um guia prático que busca orientar o Poder Judiciário na condução de processos e decisões considerando os impactos do racismo estrutural e suas interseccionalidades, como questões de gênero. O protocolo foi aprovado durante a 15ª Sessão Ordinária, sob relatoria do ministro Luís Roberto Barroso, presidente do CNJ e do STF.

Compromisso com a inclusão

Ao lançar o protocolo, Barroso destacou a importância de medidas que promovam maior inclusão e equidade racial.

“A democracia é um projeto de autogoverno coletivo que pressupõe a participação de todos. Se uma parcela expressiva da população está excluída dessa participação em igualdade de condições, não conseguimos ter uma democracia verdadeiramente plena”, afirmou o ministro.

Barroso também enfatizou a dívida histórica com a população negra no Brasil, destacando o impacto positivo das ações afirmativas tanto em termos de justiça quanto de produtividade econômica.

“Todos nós, da sociedade dominante, fomos beneficiários de uma estrutura que oprimiu um grupo e privilegiou o outro”, disse.

 (Imagem: G. Dettmar/Ag. CNJ)

CNJ aprova protocolo para reduzir impactos do racismo na atuação da Justiça.(Imagem: G. Dettmar/Ag. CNJ)

Diretrizes práticas e monitoramento

O protocolo estabelece três pilares fundamentais para sua implementação:

  1. Formação continuada: Cursos obrigatórios para todo o corpo funcional do Judiciário, incluindo Cortes Superiores, sobre racismo e equidade racial.
  2. Monitoramento contínuo: Estudos analíticos sobre gênero, raça/cor e identidade de gênero para avaliação de práticas, procedimentos e jurisprudências.
  3. Supervisão correicional: Acompanhamento e identificação de padrões discriminatórios e estereótipos raciais e de gênero por órgãos correicionais.

A juíza auxiliar Karen Luise Vilanova Batista de Souza destacou que o protocolo é essencial para assegurar o papel constitucional do Judiciário na promoção da justiça e da igualdade.

“É necessário garantir que todas as pessoas, independentemente de raça, tenham pleno acesso à justiça e a um tratamento equitativo”, afirmou.

Estrutura do documento

O guia é dividido em cinco partes:

  1. Introdução: Apresenta princípios e normativas nacionais e internacionais sobre o combate ao racismo.
  2. Conceitos fundamentais: Aborda racismo estrutural, vieses implícitos e interseccionalidades, com base em estudos acadêmicos.
  3. Orientações práticas: Traz checklists e orientações para diferentes etapas processuais, como análise de provas e correção de vieses.
  4. Impactos do racismo em áreas do Direito: Explora o racismo em áreas como família, trabalho, penal e civil.
  5. Estratégias de implementação: Prevê capacitação contínua e monitoramento dos resultados, com fortalecimento do Fórum Nacional do Poder Judiciário para a Equidade Racial (Fonaer).

O conselheiro João Paulo Shoucair, relator do ato normativo e presidente do Fonaer, ressaltou que o protocolo é um avanço institucional significativo, ao mobilizar todos os órgãos do sistema de Justiça.

“O Judiciário deve ser sensível e atento às desigualdades históricas e estruturais que afetam a população negra e outros grupos racializados”, afirmou Shoucair.

Impacto esperado

Com a implementação do protocolo, o CNJ busca orientar magistrados na condução de processos com perspectiva racial, promover uma comunicação mais inclusiva e contribuir para um Brasil mais justo.

“Esse protocolo é um passo significativo para reduzir as desigualdades raciais que insistem em persistir no Brasil”, concluiu Shoucair.

O documento foi elaborado por um Grupo de Trabalho composto por magistrados, professores, representantes do Ministério Público e Defensoria Pública, e entidades da sociedade civil.

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