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"Quase vernáculo"

STF: Barroso diz que termo "spoiler" não integra "léxico proibido"

Presidente da Corte autorizou que ministro Dias Toffoli utilizasse o estrangeirismo.

Da Redação

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Atualizado às 15:37

Nesta quarta-feira, 19, durante sessão plenária do STF, ministro Luís Roberto Barroso afirmou que a palavra "spoiler" não integra o "léxico proibido". Pelo contrário, trata-se de termo que pode ser utilizado.

"Spoiler" é um termo em inglês que significa revelação antecipada de informações importantes sobre uma obra, como filmes, séries, livros ou jogos. Ele é usado quando alguém divulga detalhes da trama antes que outras pessoas tenham a chance de conferir por conta própria.

A fala ocorreu durante o julgamento de ação que discute a inclusão de empresas na fase de execução trabalhista sem que tenham participado da fase de conhecimento.

Ao proferir voto, o relator da ação, ministro Dias Toffoli antecipou posicionamento dizendo que daria um "spoiler" e, em tom descontraído, dirigiu-se a Barroso — conhecido por combater o uso excessivo do "juridiquês" — para questionar se o termo estrangeiro seria permitido.

Barroso confirmou, reiterando que a palavra já faz parte do vocabulário corrente.

"É quase um vernáculo", afirmou.

Veja o momento:

A revolução da brevidade

Para entender o "repúdio" do ministro Barroso a certas expressões do "juridiquês", é necessário voltar ao ano de 2008. Pelo menos, desde então, Barroso defende uma linguagem simples e acessível no mundo jurídico.

Naquele ano, o então advogado Luís Roberto Barroso publicou artigo intitulado "A revolução da brevidade", no Migalhas. Nele, defende que falar difícil como expressão de sabedoria é coisa de "outra época" e que continuar a se expressar com tal rebuscamento é uma "reminiscência jurássica".

"Chamar autorização do cônjuge de "outorga uxória" ou recurso extraordinário de "irresignação derradeira" era sinal de elevada erudição. [...] Nos dias atuais, a virtude está na capacidade de se comunicar com clareza e simplicidade, conquistando o maior número possível de interlocutores. A linguagem não deve ser um instrumento autoritário de poder, que afaste do debate quem não tenha a chave de acesso a um vocabulário desnecessariamente difícil", afirma em um trecho do artigo.

  • Leia o texto completo, aqui.

Revolução, na prática

Assim que assumiu a presidência do STF e do CNJ, Barroso fez questão de seguir com a "revolução", iniciada ainda na gestão da ministra Rosa Weber (atualmente aposentada).

Em 2023, a recomendação 144 do CNJ, assinada pela ministra, instituiu a regra de comunicação clara, objetiva e inclusiva para garantir o entendimento do público e o uso das informações geradas por órgãos do Judiciário.

Tal regra vem ao encontro do Pacto Nacional do Judiciário pela Linguagem Simples, lançado também pelo CNJ no último ano, já sob a presidência do ministro Barroso. O pacto permite uso de versões resumidas dos votos durante sessões de julgamento, sem prejuízo da inclusão de versões mais detalhadas nos autos processuais.

Em entrevista exclusiva ao Migalhas, o ministro explicou que a melhor comunicação com a sociedade seria um de seus pilares como presidente da Corte.

"O Judiciário se comunica mal com a sociedade. As pessoas frequentemente não entendem o que o Judiciário faz. É preciso que o Judiciário consiga se comunicar melhor com a sociedade, inclusive explicando melhor suas decisões."

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