Moraes decreta prisão domiciliar de Filipe Martins; PF cumpre mandado
Prisão integra operação da PF, que executa dez mandados semelhantes em diferentes estados.
Da Redação
sábado, 27 de dezembro de 2025
Atualizado em 28 de dezembro de 2025 09:21
Neste sábado, 27, a Polícia Federal cumpriu mandado de prisão domiciliar decretado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, contra Filipe Martins, ex-assessor de Assuntos Internacionais da Presidência da República no governo de Jair Bolsonaro.
A prisão integra operação da PF que executa dez mandados semelhantes determinados pelo Supremo nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Goiás, Bahia, Tocantins e no Distrito Federal, com apoio do Exército Brasileiro em parte das diligências.
A decisão ocorreu após fuga de Silvinei Vasques para o Paraguai, que resultou na prisão do ex-diretor-geral da PRF.
Ao decretar a medida, Moraes converteu as cautelares que Martins já cumpria, como uso de tornozeleira eletrônica e limitação de deslocamento, em prisão domiciliar. Também impôs controle de visitas, exigência de autorização prévia para a entrada de terceiros, proibição de utilização de redes sociais e comunicação com os demais réus e investigados, e entrega de passaportes.
Defesa
Nas redes sociais, o advogado Jeffrey Chiquini, que atua na defesa de Filipe Martins, afirmou que a decisão foi proferida sem alteração do quadro fático.
Também alegou que a nova determinação não apresentou necessidade concreta para o agravamento das medidas e criticou a vinculação do caso à fuga de Silvinei Vasques.
Ao final, a defesa informou que teve acesso recente à decisão e que irá recorrer.
Trama golpista
O caso se insere no contexto da chamada trama golpista. Martins integrou o núcleo 2, grupo apontado pela PGR como responsável por gerenciar e executar ações voltadas à manutenção do ex-presidente Jair Bolsonaro no poder após o resultado das eleições de 2022.
No voto que conduziu o julgamento, Moraes destacou que Filipe Martins teve papel central na elaboração e circulação da chamada minuta de decreto golpista, que previa intervenção sobre a Justiça Eleitoral e a prisão de autoridades, inclusive do próprio relator.
Além do ex-assessor, foram condenados:
- Marcelo Costa Câmara, coronel da reserva do Exército e ex-assessor de Jair Bolsonaro;
- Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal;
- Mário Fernandes, general da reserva do Exército e ex-secretário executivo da Secretaria-Geral da Presidência.
Leia a decisão.



