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Falsa advogada é presa após atender líderes de facções em presídio

OAB/RR informou que carteira apresentada era de estagiária e estava com inscrição cancelada. Polícia aponta uso de credencial para acessar internos ligados ao Comando Vermelho e ao Tren de Aragua.

Da Redação

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Atualizado às 17:03

Polícia Civil de Roraima prendeu em flagrante uma mulher identificada como Jossiney Pereira Costa, de 46 anos, suspeita de se passar por advogada para acessar unidades prisionais e atender líderes de facções criminosas, entre elas o Comando Vermelho e o Tren de Aragua.

Conforme divulgado pelo G1, a prisão ocorreu na segunda-feira, 29, dentro da Pamc - Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Boa Vista.

Segundo as investigações, Jossiney utilizava uma carteira de estagiária de Direito já cancelada para burlar os protocolos de segurança do sistema prisional. O documento havia sido invalidado em abril de 2024 e apresentava rasuras e adulterações consideradas grosseiras pela polícia.

A suspeita foi autuada pelos crimes de uso de documento falso, falsidade ideológica, falsificação de documento público e por promover, integrar ou financiar organização criminosa.

 (Imagem: Reprodução)

Mulher usava carteira de estagiária cancelada para acessar penitenciária.(Imagem: Reprodução)

De acordo com a Polícia Civil, ela agendava atendimentos em nome de advogados regularmente inscritos na OAB, mas comparecia sozinha às unidades prisionais.

O caso é conduzido pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado. Para o delegado responsável, Wesley Costa de Oliveira, a conduta revela gravidade acentuada.

Segundo ele, a investigada se valia indevidamente das prerrogativas da advocacia para acessar presos estratégicos e facilitar a comunicação entre integrantes do crime organizado, inclusive de organização com atuação transnacional.

Ainda conforme divulgado pelo G1, durante a abordagem, os policiais apreenderam bilhetes manuscritos com mensagens entre facções, alguns escondidos nas roupas íntimas da investigada. Também foram recolhidos documentos, aparelhos eletrônicos, medicamentos de uso controlado e R$ 1.450 em espécie.

A Polícia Civil sustenta que a investigada atuava como elo clandestino de comunicação dentro do sistema prisional, explorando a credibilidade associada à advocacia para fortalecer estruturas criminosas.

Jossiney passou por audiência de custódia, ocasião em que a prisão em flagrante foi homologada e convertida em prisão preventiva. Ela foi encaminhada ao sistema prisional, e as investigações seguem para apurar a extensão da atuação criminosa e possíveis conexões com outros envolvidos.

Manifestação da OAB

Em nota, a OAB/RR confirmou que Jossiney teve inscrição como estagiária em período anterior, mas que o registro foi cancelado em 8 de abril de 2024, após o vencimento do prazo legal de dois anos.

A entidade informou ainda que acompanhou o auto de prisão em flagrante para resguardar as prerrogativas da advocacia e os interesses institucionais da Ordem, evitando prejuízos à imagem da profissão.

 (Imagem: Reprodução/OAB-RR)

Em nota, a OAB/RR confirmou que Jossiney chegou a possuir inscrição como estagiária, mas que o registro foi cancelado em 8 de abril de 2024.(Imagem: Reprodução/OAB-RR)

Confira a íntegra:

"A Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Roraima (OAB/RR), em seu compromisso inabalável com a defesa da ética, da legalidade, da dignidade da advocacia e da segurança jurídica da sociedade, vem a público esclarecer os fatos amplamente divulgados envolvendo a senhora JOSSINEY PEREIRA COSTA que possuiu, em determinado período, inscrição de Estagiária nesta Seccional sob o número 0598-E, a qual, contudo, encontra-se na condição de CANCELADO desde o dia 8 de abril de 2024, em decorrência do vencimento do prazo de 2 (dois) anos previsto no Art. 3º do Provimento Nº 217/2023, do Conselho Federal da OAB.

É fundamental destacar que a OAB Roraima, por meio do Procurador Geral e Diretor Institucional Bruno Martins, acompanhou o auto de prisão em flagrante da senhora Jossiney Pereira Costa. Este acompanhamento teve como objetivo precípuo zelar pelas prerrogativas da advocacia e pelos interesses institucionais da Ordem, garantindo que o incidente não comprometesse a imagem e o regular exercício da profissão.

Diante do cancelamento de sua inscrição, a senhora Jossiney Pereira Costa NÃO POSSUÍA, e não possui, qualquer habilitação legal para o exercício da advocacia ou para atuar como estagiária, sendo qualquer ato praticado sob tal pretexto caracterizado como exercício ilegal da profissão, com graves implicações legais e éticas.

Adicionalmente, esclarecemos que as carteiras de identidade profissional de estagiários, emitidas por esta Ordem, são obrigatoriamente precedidas pela letra "E" e possuem coloração azul, conforme padronização nacional. A utilização da letra "B", conforme identificado em documento apresentado pela citada, configura uma adulteração grosseira e indevida do registro oficial desta instituição, o que compromete a fé pública do documento e a integridade do sistema de identificação profissional.

A OAB Roraima reitera seu veemente repúdio a quaisquer condutas que visem burlar as normas que regem a advocacia e que atentem contra as prerrogativas da profissão e a segurança jurídica da sociedade. Tais atos não apenas configuram infração ética grave, mas também podem configurar ilícitos penais, como falsificação de documento público e uso de documento falso, além de outras tipificações criminais que estão sendo apuradas pelas autoridades competentes.

Por fim, informamos que todas as informações e as graves divergências apuradas foram imediatamente encaminhadas às autoridades competentes, incluindo os órgãos de segurança pública e o Poder Judiciário, para a adoção das providências criminais e legais cabíveis. A OAB Roraima está tomando todas as medidas judiciais e administrativas cabíveis em favor da advocacia e contra o exercício ilegal da profissão, e acompanhará de perto todo o processo, zelando pelos interesses institucionais e protegendo o exercício da advocacia, que é essencial para a administração da justiça e a defesa do Estado Democrático de Direito.

A Diretoria

Boa Vista - RR, 30 de dezembro de 2025."

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