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Venezuela

Veja quem são os advogados de Maduro na audiência em Nova York

David Wikstrom, nomeado pelo tribunal, e Barry Pollack, que atuou por Julian Assange, representarão ex-presidente venezuelano.

Da Redação

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Atualizado às 18:45

O presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, contará com a atuação de advogados americanos na audiência inicial do processo criminal que tramita na Justiça dos Estados Unidos, no Tribunal Federal do Distrito Sul de Nova York, onde responde a acusações de narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e uso de armamento pesado.

Segundo informações divulgadas pelo New York Times, Maduro será representado nesta fase inicial por David Wikstrom, advogado criminalista de longa atuação em Nova York, nomeado pelo tribunal Federal. Também acompanhará a audiência o advogado Barry Pollack, conhecido por ter atuado na defesa de Julian Assange.

 (Imagem: Reprodução/davidwikstrom.com | Reprodução/HS Law)

Maduro será defendido por David Wikstrom e Barry Pollack em audiência inicial em Nova York.(Imagem: Reprodução/davidwikstrom.com | Reprodução/HS Law)

Maduro e sua esposa, Cilia Flores, comparecem nesta segunda-feira, 5, ao tribunal federal no sul de Manhattan, onde ouvirão formalmente as quatro acusações apresentadas pela Procuradoria-geral dos Estados Unidos. A audiência inicial deverá ser breve.

O casal, que está detido no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, deve se declarar inocente, e a expectativa é de que o juiz determine a prisão preventiva de ambos.

Segundo as informações divulgadas, poderá levar mais de um ano até que um júri seja formado para analisar as provas apresentadas no processo.

Quem é David Wikstrom

David Wikstrom é advogado criminalista com atuação consolidada na cidade de Nova York e foi designado pelo tribunal federal para atuar na audiência inicial do processo contra Maduro.

Ele já atuou na defesa do irmão de Juan Orlando Hernández, ex-presidente de Honduras, que respondeu a acusações semelhantes às atribuídas ao ex-mandatário venezuelano e foi posteriormente perdoado pelo então presidente Donald Trump.

O advogado também é pai de Derek Wikstrom, que integrou a equipe de acusação no processo criminal movido contra o prefeito de Nova York, Eric Adams.

Atuação de Barry Pollack

Além de Wikstrom, o advogado Barry Pollack também atuará neste primeiro momento. Advogado com mais de 30 anos de experiência, Pollack é conhecido por sua atuação em casos de grande repercussão internacional, incluindo a defesa de Julian Assange.

Operação "Absolute Resolve"

No último sábado, 3, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, foram detidos por autoridades norte-americanas e levados aos Estados Unidos para responder a acusações criminais apresentadas pela Justiça Federal norte-americana. 

A captura ocorreu no contexto de uma operação conduzida pelos EUA, chamada de "Absolute Resolve", que resultou na remoção do casal do território venezuelano e em sua transferência imediata para custódia federal.

Ainda no mesmo dia, Maduro e Flores deram entrada no sistema prisional norte-americano e ficaram à disposição do Tribunal Distrital Federal do Distrito Sul de Nova York, responsável por processar o caso.

As acusações envolvem, entre outros pontos, conspiração de narcoterrorismo e tráfico internacional de drogas, em investigações que tramitam há anos na Justiça dos EUA.

Repercusão internacional

A operação conduzida pelos Estados Unidos para capturar o casal também gerou repercussão internacional.

O Conselho de Segurança da ONU convocou uma reunião de emergência para discutir a ação norte-americana. Conforme divulgado pelo The New York Time, durante o encontro, o chefe político das Nações Unidas leu uma declaração do secretário-geral António Guterres, que afirmou estar "profundamente preocupado" com o fato de os Estados Unidos não terem respeitado o direito internacional, além de manifestar temor quanto ao precedente que a operação pode criar.

Acusações 

A denúncia foi apresentada ao Tribunal do Distrito Sul de Nova York, instância conhecida por aplicar penas severas em casos de narcoterrorismo, que podem chegar à prisão perpétua.

A acusação aponta quatro crimes principais: conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína para os Estados Unidos, uso e posse de metralhadoras e uso de dispositivos destrutivos para proteger operações de tráfico.

Além de Maduro, o indiciamento atinge figuras centrais do chavismo e familiares do presidente. Entre os denunciados estão:

  • Diosdado Cabello Rondón, ministro do Interior e Justiça;
  • Cilia Adela Flores de Maduro, primeira-dama;
  • Nicolás Ernesto Maduro Guerra, conhecido como "Nicolasito", filho do presidente e membro da Assembleia Nacional; e
  • Héctor Rusthenford Guerrero Flores, o "Niño Guerrero", apontado como líder da facção criminosa Tren de Aragua.

Crimes imputados

A acusação aponta quatro crimes principais: conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína para os Estados Unidos, uso e posse de metralhadoras e uso de dispositivos destrutivos para proteger operações de tráfico.

O documento descreve o emprego de armas pesadas, como fuzis AK-47, AR-15 e lançadores de granadas, para garantir a segurança dos carregamentos.

Cartel de Los Soles e uso do Estado

Segundo a acusação, líderes do governo venezuelano abusaram de suas posições de confiança pública por mais de 20 anos, "corromperam as instituições legítimas da Venezuela, incluindo partes das forças armadas, do serviço de inteligência, do legislativo e do judiciário, para facilitar a importação de toneladas de cocaína para os Estados Unidos".

Cocaína como "arma" contra os EUA

A acusação afirma ainda que, sob a liderança de Maduro, o cartel tratava a cocaína como uma "arma" contra os Estados Unidos, priorizando deliberadamente a importação da maior quantidade possível da droga para o país.

"Assim, enquanto a maioria das organizações de narcotráfico na América do Sul e Central procurou se afastar de seus papéis na importação de narcóticos para os Estados Unidos, em um esforço para evitar processos judiciais nos EUA, o Cértel de Los Soles, sob a liderança de Maduro Moros e outros, priorizou o uso da cocaína como arma contra os Estados Unidos e a importação da maior quantidade possível de cocaína para o país."

O documento descreve os meios e métodos da conspiração narcoterrorista. A partir de 1999, enquanto as FARC alegavam negociar a paz com o governo colombiano, a organização transferiu parte de suas operações para a Venezuela sob proteção do Cartel de Los Soles.

Confira a íntegra da denúncia.

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