Saiba quem é o juiz de 92 anos que conduzirá caso de Maduro nos EUA
Alvin Hellerstein atuou em casos de grande repercussão, como processos relacionados ao 11 de setembro.
Da Redação
segunda-feira, 5 de janeiro de 2026
Atualizado às 14:47
O juiz federal Alvin K. Hellerstein, de 92 anos, será o responsável por conduzir o caso do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e da esposa dele, Cilia Flores, nos Estados Unidos. Ambos passam por audiência no Tribunal Distrital Federal de Nova York, em Lower Manhattan, nesta segunda-feira, 5.
Designado para o cargo em 1998 pelo ex-presidente dos EUA Bill Clinton, Hellerstein trabalhou como juiz distrital até 2011, quando assumiu status de juiz sênior da Corte Federal de Nova York.
O magistrado já foi responsável por presidir casos complexos de grande repercussão associados ao terrorismo e à segurança nacional, entre eles ações de indenização relacionadas aos atentados de 11 de setembro de 2001 contra as Torres Gêmeas, o processo por assédio sexual contra o produtor de cinema Harvey Weinstein e o julgamento de Michael Cohen, ex-advogado do presidente Donald Trump.
Hellerstein também conduz, no mesmo tribunal federal, o processo contra Hugo Armando "Pollo" Carvajal, ex-chefe da inteligência militar venezuelana. Carvajal é acusado de tráfico de drogas e narcoterrorismo, e seu caso tem ligação direta com as investigações que envolvem o regime chavista.
Segundo documentos do processo, o depoimento de Carvajal terá peso central no julgamento de Maduro.
Perfil
Nascido em 1933 em Nova York, judeu ortodoxo, Hellerstein obteve diplomas de bacharelado e de direito na Universidade Columbia e serviu no Corpo Jurídico do Exército dos EUA antes de atuar na advocacia privada.
Com Maduro agora sob custódia dos EUA, espera-se que os procedimentos avancem em Manhattan nas próximas semanas sob a supervisão de Hellerstein.
Acusação
Maduro é apontado como líder do Cartel de Los Soles pelo Departamento de Defesa dos EUA e foi acusado de conspiração com narcoterrorismo, incluindo importação de cocaína, e posse de metralhadoras, dispositivos explosivos e armamentos de propriedade da Venezuela para utilizá-los contra os EUA, segundo a procuradora-Geral dos Estados Unidos, Pam Bondi.
A denúncia sustenta que o esquema operava em parceria com organizações classificadas como terroristas ou narcoterroristas, entre elas as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o Exército de Libertação Nacional (ELN), o Cartel de Sinaloa, os Los Zetas e o Tren de Aragua.
- Leia a denúncia.
Operação "Absolute Resolve"
No último sábado, 3, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, foram detidos por autoridades norte-americanas e levados aos Estados Unidos para responder a acusações criminais apresentadas pela Justiça Federal norte-americana.
A captura ocorreu no contexto de uma operação conduzida pelos EUA, chamada de "Absolute Resolve", que resultou na remoção do casal do território venezuelano e em sua transferência imediata para custódia federal.
Ainda no mesmo dia, Maduro e Flores deram entrada no sistema prisional norte-americano e ficaram à disposição do Tribunal Distrital Federal do Distrito Sul de Nova York, responsável por processar o caso. As acusações envolvem, entre outros pontos, conspiração de narcoterrorismo e tráfico internacional de drogas, em investigações que tramitam há anos na Justiça dos EUA.





