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Denúncia

Governo Trump recua e deixa de acusar Maduro de chefiar cartel de drogas

Revisão da denúncia abandona tese de comando direto do Cartel de Los Soles, mas mantém acusações de narcoterrorismo e tráfico internacional.

Da Redação

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Atualizado em 7 de janeiro de 2026 07:13

O governo dos Estados Unidos recuou na acusação de que Nicolás Maduro lideraria o chamado Cartel de Los Soles, suposta organização de narcotráfico venezuelana. O Departamento de Justiça norte-americano reescreveu a denúncia apresentada contra o presidente deposto da Venezuela e suavizou a linguagem utilizada anteriormente, abandonando a tese de que ele seria o chefe direto do grupo.

A mudança representa um distanciamento em relação à acusação formalizada em 2020 e foi apontada em reportagem assinada por Charlie Savage, do The New York Times. À época, o governo dos EUA sustentava que Maduro comandava uma organização classificada como terrorista e voltada ao tráfico internacional de drogas.

 (Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Governo dos EUA recua sobre acusar Maduro de chefiar cartel de drogas.(Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Em 2025, em meio à escalada de tensões políticas e militares entre Washington e Caracas, os Estados Unidos voltaram a afirmar que o Cartel de Los Soles seria liderado por Maduro. O discurso antecedeu a operação militar que resultou na prisão do venezuelano e de sua esposa, Cilia Flores, no último sábado, 3, em Caracas.

Na nova versão da acusação, divulgada pelo Departamento de Justiça no mesmo dia da operação, Maduro deixou de ser descrito como "chefe de uma organização terrorista narcotraficante". O documento passou a afirmar que ele "participa, protege e perpetua uma cultura de corrupção de enriquecimento a partir do tráfico de drogas", da qual teria se beneficiado financeiramente. Ainda assim, o ex-presidente responderá por quatro acusações relacionadas ao narcoterrorismo.

O Cartel de Los Soles, que havia sido designado como organização terrorista pelo governo dos Estados Unidos ao longo de 2025, primeiro pelo Departamento do Tesouro e, posteriormente, pelo Departamento de Estado, por determinação do então secretário Marco Rubio, aparece apenas duas vezes na nova denúncia.

No documento, o termo deixa de designar uma organização formal e passa a ser tratado como uma referência genérica a um sistema de patronagem e a uma cultura de corrupção ligada ao narcotráfico entre integrantes da elite venezuelana, sem estrutura hierárquica definida.

Segundo o texto da acusação, tanto Maduro quanto o ex-presidente Hugo Chávez teriam participado de um sistema de corrupção no qual elites civis, militares e de inteligência se beneficiariam do tráfico de drogas. Os lucros, de acordo com o documento, fluiriam por meio de um sistema de clientelismo associado ao chamado Cartel de Los Soles, nome que faz referência ao símbolo presente nos uniformes de oficiais militares venezuelanos de alta patente.

A própria existência do cartel já vinha sendo questionada por especialistas, que apontam a ausência de uma hierarquia definida. O grupo é descrito como uma "rede de redes" formada por integrantes de diferentes patentes militares e estratos políticos, que facilitaria o tráfico de drogas e lucraria com a atividade.

Operação "Absolute Resolve"

A prisão de Nicolás Maduro e de Cilia Flores ocorreu no contexto da operação norte-americana denominada "Absolute Resolve". O casal foi detido no sábado, 3, removido do território venezuelano e transferido imediatamente para custódia federal nos Estados Unidos.

No mesmo dia, ambos deram entrada no sistema prisional norte-americano e ficaram à disposição do Tribunal Distrital Federal do Distrito Sul de Nova York, responsável pelo processamento do caso. As investigações que embasam as acusações tramitam há anos na Justiça dos EUA e envolvem, entre outros pontos, conspiração de narcoterrorismo e tráfico internacional de drogas.

Maduro foi formalmente acusado em audiência realizada na segunda-feira, 5, em Nova York. Na ocasião, declarou-se inocente e afirmou ser um "prisioneiro de guerra".

De acordo com a nova denúncia do Departamento de Justiça, o ex-presidente venezuelano responderá a quatro crimes: conspiração para o narcoterrorismo; conspiração para o tráfico de cocaína; posse de metralhadoras e dispositivos explosivos; e conspiração para posse de metralhadoras destinadas ao uso pelo narcotráfico.

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