Bolsonaro pede a Moraes para integrar programa de redução de pena por leitura
Remição por leitura pode reduzir até quatro dias de pena por livro.
Da Redação
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
Atualizado às 16:38
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, solicitou ao ministro Alexandre de Moraes autorização para que ele participe do programa de remição de pena pela leitura.
O pedido ainda não foi apreciado pelo relator, que também conduz a execução das condenações relacionadas à tentativa de golpe de Estado.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão, em regime fechado.
Caso o pedido seja deferido, ele poderá reduzir parte da pena por meio da leitura de livros e da elaboração de resenhas, conforme as regras do sistema penitenciário do DF.
Como funciona a remição de pena?
A possibilidade de reduzir a pena por meio de trabalho e estudo está prevista na LEP - lei de execução penal e se aplica a presos em regime fechado ou semiaberto, desde que haja autorização judicial individualizada.
Pela lei, é possível:
- abater um dia da pena a cada 12 horas de frequência escolar, seja em cursos de ensino fundamental, médio, profissionalizante ou superior;
- reduzir um dia da pena a cada três dias de trabalho.
Essas atividades, além de diminuírem o tempo total da condenação, também influenciam na progressão de regime e na análise de benefícios, como a liberdade condicional.
Já a remição pela leitura é regulamentada por resolução do CNJ - Conselho Nacional de Justiça, editada em 2021.
O modelo permite que o preso leia e produza resenhas de até 12 obras por ano, com abatimento de quatro dias de pena para cada livro aprovado na avaliação.
Sem palavras cruzadas
No DF, o sistema penitenciário mantém uma lista prévia de obras autorizadas para fins de remição. Entre os títulos disponíveis estão:
- "Ainda estou aqui", de Marcelo Rubens Paiva, obra autobiográfica em que o autor revisita memórias familiares e aborda a trajetória de seu pai, o ex-deputado Rubens Paiva, morto durante a ditadura militar. O livro foi adaptado para o cinema e venceu o Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025.
- "Democracia", de Philip Bunting, livro ilustrado que apresenta conceitos fundamentais sobre democracia, cidadania, política e o papel da informação e das redes sociais, indicado para leitores a partir de nove anos.
- "Crime e castigo", de Fiódor Dostoiévski, clássico da literatura russa que narra o dilema moral de um estudante que comete um homicídio e passa a enfrentar culpa, paranoia e sofrimento psicológico.
Confira a lista completa.
Virando a página
A possibilidade de remição de pena pela leitura, agora levada ao STF pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi tema de reflexão no Informativo Migalhas desta quinta-feira, 8:
"Prisão não é lugar bom nem agradável, e ninguém (nem o ET de Varginha) sai dessa experiência fazendo review cinco estrelas no TripAdvisor. Mas o ex-presidente sabe bem as razões que o levaram até ali. Mais que buscar culpados no gogó das redes, o momento convida a um gesto simples e adulto: assumir responsabilidades e reduzir o ruído. E aí vale o conselho paterno universal, usado na infância para nos resgatar da hipnose da "propaganda ianque" na TV: "Vá ler um livro." Pois bem: o conselho continua útil. Ler um livro faz bem, ocupa a mente, ajuda a passar o tempo e ainda poupa trabalho: aos carcerários, ao Judiciário e às instituições que já têm processos demais e paciência de menos no fim do expediente republicano."





