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Comércio internacional

Maioria da UE aprova acordo com Mercosul que cria zona de livre comércio

Aval do bloco permite assinatura de tratado negociado há mais de 20 anos.

Da Redação

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Atualizado às 11:16

A União Europeia alcançou, nesta sexta-feira, 9, maioria qualificada favorável ao acordo comercial com o Mercosul, destravando um dos tratados mais longos e complexos já negociados pelo bloco.

A informação foi divulgada por veículos da imprensa europeia e repercutida pela mídia brasileira.

O aval político abre caminho para que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assine formalmente o pacto na próxima segunda-feira, 12, em Assunção, no Paraguai, país que exerce atualmente a presidência rotativa do Mercosul.

Embora a votação oficial ainda dependa da formalização escrita dos votos - prevista para o fim do dia em Bruxelas -, diplomatas europeus confirmaram que o apoio necessário já foi assegurado durante a reunião de embaixadores dos 27 Estados-membros.

Negociado desde 1999, o acordo pode resultar na criação da maior zona de livre comércio do mundo, reunindo um mercado potencial de mais de 720 milhões de consumidores.

Juntas, as economias da União Europeia e do Mercosul somam aproximadamente US$ 22,3 trilhões em PIB - Produto Interno Bruto.

 (Imagem: Adobe Stock)

Maioria da UE aprovou acordo comercial com o Mercosul.(Imagem: Adobe Stock)

Voto de Minerva

Para a aprovação, era necessário o apoio de ao menos 55% dos países da União Europeia que representassem, no mínimo, 65% da população do bloco.

O equilíbrio político foi alcançado após a Itália retirar objeção ao texto.

A mudança de postura italiana ocorreu após concessões feitas pela Comissão Europeia para mitigar impactos sobre os agricultores.

Entre as medidas anunciadas está o adiantamento de até ? 45 bilhões em subsídios agrícolas previstos no próximo orçamento da PAC -Política Agrícola Comum, cujo volume total assegurado é de ? 293,7 bilhões.

França, Polônia, Áustria, Hungria e Irlanda mantiveram posição contrária ao acordo, enquanto a Bélgica optou pela abstenção.

A França lidera a resistência, especialmente por pressões do setor agrícola, que teme concorrência com produtos do Mercosul. Em Paris e em Bruxelas, produtores rurais protestaram nos últimos dias. O presidente francês, Emmanuel Macron, reiterou que a França votaria contra o tratado e afirmou que a assinatura não representa "o fim da história".

Impactos para o Brasil e para o Mercosul

Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o tratado amplia significativamente o acesso ao mercado europeu, composto por cerca de 451 milhões de consumidores.

Os efeitos esperados vão além do agronegócio, alcançando setores industriais e cadeias produtivas de maior valor agregado.

De forma geral, o acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, além da padronização de regras sobre comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos, compras governamentais e requisitos regulatórios.

Próximas etapas

Mesmo com a assinatura prevista para a próxima semana, o acordo não entrará imediatamente em vigor.

No âmbito europeu, será necessária a aprovação do Parlamento Europeu, etapa que deve levar algumas semanas e exige apenas maioria simples dos eurodeputados.

Apesar disso, segundo divulgado pela imprensa europeia, o tratado enfrenta resistência política. Cerca de 150 parlamentares do velho continente já sinalizaram a possibilidade de recorrer à Justiça para tentar barrar sua aplicação.

Do lado do Mercosul, o acordo precisará ser ratificado pelos Congressos nacionais de cada país. No Brasil, isso implica a aprovação pelo Congresso Nacional. 

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