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Diretamente do velho continente

Veja como imprensa internacional repercutiu aprovação do acordo UE–Mercosul

Imprensa estrangeira apontou avanços, tensões políticas e protestos rurais.

Da Redação

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Atualizado às 11:25

A aprovação, ainda preliminar, do acordo entre União Europeia e Mercosul foi tratada pela imprensa europeia como um marco de grandes proporções, capaz de criar a maior zona de livre comércio do mundo, mas também como um catalisador de tensões políticas internas, sobretudo no setor agrícola.

Veja como os principais veículos de imprensa de países do bloco noticiaram o tema.



Espanha

O jornal espanhol El País destacou que o aval do Conselho da UE remove um dos principais entraves à ratificação do acordo negociado há mais de duas décadas e confere à União Europeia algo que vai além do comércio: credibilidade como ator internacional capaz de fechar alianças estratégicas.

Para o diário, o pacto com o Mercosul - envolvendo Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai - insere-se em estratégia geopolítica de ampliação de parcerias em meio a um cenário internacional instável, marcado por tensões comerciais, disputas territoriais e crises políticas recentes.

O periódico ressaltou que a maioria qualificada só foi possível após a mudança de posição da Itália, enquanto França, Polônia, Áustria, Hungria e Irlanda mantiveram oposição, e a Bélgica se absteve.

O El País também chamou atenção para as dificuldades futuras no Parlamento Europeu, onde eurodeputados de extrema-direita e da esquerda já sinalizam resistência, inclusive com ameaças de judicialização e novas moções de censura contra a Comissão Europeia.

Apesar dos números apresentados por Bruxelas - como aumento potencial de exportações, geração de empregos e benefícios à indústria automotiva, química e farmacêutica, o jornal observou que os dados não foram suficientes para conter a revolta do setor agrícola, que segue mobilizado em protestos por toda a Europa.



Itália 

O italiano Corriere della Sera enfatizou o papel decisivo da Itália para a formação da maioria qualificada e detalhou as condições impostas por Roma para retirar sua objeção.

Segundo o jornal, o governo italiano se deu por satisfeito após a Comissão Europeia aceitar reforçar cláusulas de salvaguarda para produtos agrícolas sensíveis, reduzindo de 8% para 5% o gatilho que pode acionar investigações e medidas corretivas em caso de distorções de mercado.

O diário destacou ainda o compromisso de Bruxelas em antecipar € 45 bilhões da futura Política Agrícola Comum, além da abertura para suspender temporariamente a aplicação do CBAM - Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira sobre fertilizantes.

Para o Corriere, essas concessões foram fundamentais para preservar um acordo considerado altamente vantajoso para a indústria europeia, especialmente nos setores de máquinas, fármacos, produtos químicos e transporte.



França

Na França, o tom foi de forte contestação.

O Le Monde deu destaque à reação da FNSEA - Federação Nacional dos Sindicatos de Exploradores Agrícolas, que classificou a aprovação do acordo como uma "traição da soberania agrícola europeia".

Segundo o jornal, a entidade afirmou que a decisão provocou "a cólera total dos agricultores" e anunciou novas mobilizações, em articulação com sindicatos de outros países europeus.

A FNSEA declarou que seguirá "o combate" contra o tratado e que pretende organizar uma resposta coletiva e coordenada no âmbito do COPA-COGECA, principal entidade representativa dos agricultores na União Europeia.



Alemanha

O jornal alemão Die Welt enquadrou o acordo como um sinal político claro contra o protecionismo, especialmente em relação à política tarifária adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Para o diário, a nova zona de livre comércio - com mais de 700 milhões de habitantes - simboliza a aposta europeia na abertura de mercados e no comércio internacional baseado em regras. 

A publicação ressaltou o interesse histórico da indústria alemã no acordo e citou estimativas da Comissão Europeia segundo as quais as exportações da UE para o Mercosul podem crescer até 39%, gerando centenas de milhares de empregos.

Ao mesmo tempo, o jornal reconheceu os temores dos críticos, que apontam riscos para agricultores europeus, para padrões ambientais e para a preservação das florestas sul-americanas - preocupações que Bruxelas afirma ter mitigado com cláusulas de salvaguarda e exigências regulatórias rigorosas.

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