Júri de ex-PM é anulado após réu ameaçar decapitar juíza e jurados
Sessão virtual foi interrompida após réu confessar homicídio e intimidar jurados.
Da Redação
sábado, 14 de fevereiro de 2026
Atualizado às 17:22
A Justiça anulou o julgamento do ex-policial militar Eduardo José de Andrade, após ele proferir ameaças contra a magistrada responsável pela sessão e contra os jurados durante Júri, na última quinta-feira, 12, em São José do Rio Preto/SP.
O réu estava sendo julgado pelo assassinato de Tiago de Paula, de 32 anos, morto a tiros em novembro de 2022, no município de Cedral/SP.
Durante o interrogatório, Eduardo confessou o crime e fez declarações violentas.
"Eu matei, eu não me arrependo. Quando eu sair para a rua, eu vou continuar matando", afirmou.
Na sequência, o acusado passou a intimidar diretamente os jurados e mencionou o julgamento anterior em que havia sido condenado.
"Eu vou cortar a cabeça de um por um. Vou mandar na casa deles no dia que eu sair daqui."
O ex-PM também dirigiu ameaças à juíza que conduzia a sessão.
"Eu vou cortar a cabeça da doutora Glaucia, porque eu tenho autorização para fazer isso."
Confira:
Diante da gravidade das falas, a magistrada interrompeu o julgamento e questionou os jurados sobre a possibilidade de continuidade.
Um deles informou não se sentir apto a permanecer, e a sessão foi encerrada, com a consequente anulação do Júri.
Até o momento, não há data definida para um novo julgamento.
O homicídio
Eduardo foi denunciado por homicídio qualificado, atribuído a motivo fútil e ao uso de recurso que dificultou a defesa da vítima.
A acusação sustenta que, mesmo estando de folga, ele utilizou uma arma da PM para atirar contra Tiago, que estava sentado em frente à própria residência.
A vítima foi atingida por ao menos sete disparos.
Insanidade mental
Segundo divulgado pelo G1, após o episódio, a defesa informou que solicitou a instauração de um incidente de insanidade mental, pedido que foi aceito pelo juízo.
Segundo a defensora, as falas do acusado estariam relacionadas a um possível quadro psiquiátrico, que deverá ser avaliado por perícia oficial a ser designada pelo Estado.
Condenação anterior
Ainda segundo o portal, Eduardo já havia sido condenado anteriormente, em fevereiro de 2025, a 29 anos de prisão pelo assassinato de João Gonçalves Filho, de 39 anos, também ocorrido em Cedral.
As investigações apontaram que o crime teria sido motivado por uma dívida ligada ao tráfico de drogas. A ossada da vítima foi localizada meses depois, em abril de 2023.





