Ministra Daniela cita "montanha" ao votar por majorar honorários; entenda
Diagrama criado pelo ministro Humberto Gomes de Barros foi utilizado no STJ para ilustrar relação entre cliente e advogado.
Da Redação
terça-feira, 3 de março de 2026
Atualizado às 17:56
Durante julgamento na 3ª turma do STJ em ação envolvendo cobrança de honorários, ministra Daniela Teixeira recorreu a uma conhecida figura da prática da advocacia para ilustrar a dinâmica da relação entre cliente e advogado após a vitória em juízo.
A representação, chamada de "montanha dos honorários", foi criada pelo então advogado Humberto Gomes de Barros (in memoriam) - que posteriormente integrou o STJ como ministro - e retrata, de forma didática, a valorização do profissional no auge do processo e a posterior desvalorização no momento da cobrança da verba.
O diagrama, segundo relembrou, descreve uma montanha que começa com o telefonema aflito do cliente, às 22h:
"Doutor, posso vê-lo imediatamente? Estou desesperado". Nos encontros seguintes, o tom é de urgência e confiança absoluta: "Perderei tudo que tenho"; "Meu destino está em suas mãos".
Com o avanço do processo, vêm os elogios: após a audiência, o reconhecimento do esforço; depois da sentença, a exaltação da atuação; no julgamento do recurso, os parabéns pela sustentação oral.
No topo da montanha - a saída do tribunal após a vitória -, o cliente declara: "O senhor me salvou, doutor, devo-lhe tudo."
É nesse ponto, recordou a ministra, que Humberto Gomes de Barros orientava: "É aí que você cobra os honorários, porque daí pra frente é morro abaixo."
Segundo a narrativa, no dia seguinte à vitória, o cliente passa a relativizar o trabalho do advogado: "Eu fui um ótimo cliente"; "Vitória fácil"; "Eu teria resolvido sozinho".
Ao receber a cobrança, questiona o valor e, se acionado judicialmente, transforma o antigo salvador em adversário.
"E o advogado ganhou um inimigo", resumiu Daniela, ao concluir a descrição da metáfora.
A ministra afirmou ter presenciado essa dinâmica ao longo de 27 anos de atuação na advocacia, destacando que a reflexão permanece atual nos debates sobre honorários e reconhecimento do trabalho profissional.





