Vorcaro falou em “dar pau” em Lauro Jardim: "quebrar os dentes num assalto"
André Mendonça apontou mensagens sobre plano de agressão ao jornalista e mencionou atuação de grupo chamado “A Turma”.
Da Redação
quarta-feira, 4 de março de 2026
Atualizado às 11:02
O ministro do STF, André Mendonça, determinou a prisão preventiva de envolvidos na operação Compliance Zero, entre eles Daniel Vorcaro, no contexto de investigação da Polícia Federal sobre um suposto esquema de crimes financeiros e de corrupção ligado ao Banco Master.
Na decisão, o relator citou mensagens que indicariam um plano de agredir o jornalista de O Globo Lauro Jardim.
Segundo a investigação, o grupo teria atuado por meio de diferentes núcleos, incluindo um financeiro, voltado à captação de recursos, e outro responsável por monitoramento e intimidação de pessoas consideradas adversárias.
Núcleo de intimidação
De acordo com a decisão, parte dessas ações seria executada por uma estrutura paralela chamada “A Turma”, descrita nos autos como responsável por vigilância, obtenção de informações e pressão contra pessoas vistas como prejudiciais aos interesses do grupo.
Entre os elementos citados aparecem conversas atribuídas a integrantes da organização nas quais o nome do jornalista Lauro Jardim é mencionado após a publicação de notícia considerada negativa.
A decisão afirma que os diálogos indicariam um plano para simular um assalto e, com isso, atacar o jornalista e tentar silenciar críticas.
Diante desse cenário, André Mendonça determinou a prisão preventiva de Daniel Vorcaro, Fabiano Campos Zettel, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão e Marilson Roseno da Silva. Também foram impostas medidas cautelares a outros investigados, como afastamento de função pública, proibição de contato entre envolvidos e monitoração eletrônica.
O relator também determinou a suspensão das atividades de empresas apontadas como parte de uma estrutura utilizada para movimentação de recursos e ocultação de valores ligados ao esquema investigado.
- Processo: Pet 15.198
Leia a decisão.
Sobre os fatos, O GLOBO divulgou a seguinte nota:
"O GLOBO repudia veementemente as iniciativas criminosas planejadas contra o colunista Lauro Jardim, um dos mais respeitados jornalistas do país. A ação, como destacado pelo ministro André Mendonça, visava 'calar a voz da imprensa', pilar fundamental da democracia. Os envolvidos nessa trama criminosa devem ser investigados e punidos com o rigor da lei. O GLOBO e seus jornalistas não se intimidarão com ameaças e seguirão acompanhando o caso e trazendo luz às informações de interesse público."





