Em decisão histórica, Meta e Google são condenados nos EUA por viciar crianças
Empresas foram responsabilizadas por danos à saúde mental de jovem após uso prolongado de plataformas.
Da Redação
quinta-feira, 26 de março de 2026
Atualizado às 10:01
Meta e Google foram consideradas culpadas em um processo histórico nos Estados Unidos, após júri de Los Angeles concluir que as empresas contribuíram para o vício em redes sociais e para os danos à saúde mental de uma jovem.
Para os jurados, as plataformas foram desenvolvidas de forma negligente e sem alertas adequados aos usuários.
Uso desde a infância e impactos psicológicos
O caso teve início com uma jovem que passou a utilizar o YouTube ainda na infância e, posteriormente, adotou o uso intensivo do Instagram. Com o tempo, desenvolveu comportamento compulsivo, associado a impactos na saúde mental, como ansiedade, depressão e distorções na autoimagem.
A ação apontou que mecanismos como rolagem infinita e reprodução automática foram estruturados para prolongar o tempo de uso, estimulando o engajamento contínuo desde cedo.
Defesa das empresas
As empresas alegaram que os problemas de saúde mental não podem ser atribuídos exclusivamente às plataformas, destacando a existência de ferramentas de segurança e controle parental.
Também sustentaram que seus produtos não foram projetados para causar dependência e informaram que pretendem recorrer da decisão.
Desenvolvimento negligente
Ao analisar o caso, o júri concluiu que houve falha no dever de cuidado, ao considerar que os produtos foram desenvolvidos sem medidas suficientes para mitigar riscos associados ao uso excessivo.
O colegiado entendeu que as empresas não alertaram adequadamente os usuários sobre possíveis impactos negativos, especialmente em relação ao público jovem.
Com a decisão, foi fixada indenização de US$ 3 milhões, sendo 70% atribuídos à Meta e 30% ao Google.
O veredito é considerado um marco no debate sobre responsabilidade de empresas de tecnologia, podendo influenciar outras ações semelhantes em curso nos Estados Unidos.
Ao final, o júri reconheceu que o funcionamento das plataformas teve papel relevante no agravamento dos problemas psicológicos da jovem, estabelecendo precedente para a responsabilização de empresas por efeitos associados ao uso de redes sociais.




