Após ser "ameaçado" em aeroporto, Dino faz post pedindo educação cívica
Ministro do STF afirmou que funcionária de companhia aérea disse que seria “melhor matar do que xingar”.
Da Redação
segunda-feira, 18 de maio de 2026
Atualizado às 17:24
O ministro do STF Flávio Dino publicou, no início da tarde desta segunda-feira, 18, relato sobre "ameaça" de morte que teria sofrido em aeroporto envolvendo funcionária de companhia aérea.
Segundo o magistrado, após visualizar seu cartão de embarque, a funcionária teria afirmado que gostaria de xingá-lo e, em seguida, declarado que seria “melhor matar do que xingar”.
No texto, Dino afirmou que não divulgaria o nome da funcionária, da empresa nem a data da ocorrência, por entender que o episódio extrapola interesse pessoal e envolve questão coletiva relacionada ao ambiente de polarização política e social.
Segundo o ministro, as manifestações decorreriam de sua atuação no STF. Ele afirmou preocupação com a possibilidade de disseminação desse tipo de comportamento entre funcionários de empresas que atuam diretamente com o público, especialmente em setores ligados à segurança e ao transporte.
“Imaginemos que outros funcionários, da mesma ou outra empresa aérea, sejam contaminados com idêntico ódio. Isso pode significar até riscos para segurança de aeroportos e de voos”, escreveu.
Na publicação, Dino também mencionou a hipótese de episódios semelhantes alcançarem outros segmentos econômicos, questionando riscos de agressões contra consumidores em razão de divergências políticas ou ideológicas.
Ao final, o ministro pediu que empresas e entidades empresariais promovam campanhas internas de “educação cívica”, especialmente em ano eleitoral, para estimular respeito nas relações profissionais e no atendimento ao público.
“Cada um tem sua opinião, suas simpatias e o seu voto individual. Mas um cidadão não pode ter receio de sofrer uma agressão de um funcionário de uma empresa, ao consumir um serviço ou produto”, afirmou.
Segundo Dino, iniciativas educativas voltadas ao respeito e à convivência pacífica seriam importantes para consumidores, empresas e para o ambiente democrático do país.
Confira:
Reação
Em nota oficial, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, manifestou solidariedade a Flávio Dino e afirmou que divergências de ideias não podem abrir espaço para ódio, violência ou agressões pessoais, defendendo a preservação da civilidade, da tolerância e do respeito mútuo.
Veja:
"Nota do Supremo Tribunal Federal
A divergência de ideias, própria da democracia, jamais pode abrir espaço para o ódio, para a violência em qualquer de suas formas ou para qualquer modo de agressão pessoal.
Manifestamos, por isso, nossa solidariedade ao Ministro Flávio Dino diante do grave fato, ocorrido hoje no aeroporto de São Paulo, cujo relato foi tornado público.
O respeito a todas as pessoas, tenham ou não funções públicas, às instituições e às autoridades legitimamente constituídas é condição essencial da convivência republicana.
Impõe-se reafirmar os valores da civilidade, da tolerância e da paz social. O Brasil precisa de serenidade, espírito público e compromisso democrático, para que as diferenças possam coexistir dentro dos limites do respeito mútuo e da dignidade humana.
Ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF)."





