Advogada Deolane Bezerra é presa por suposta lavagem de dinheiro do PCC
Influenciadora é investigada por receber valores ligados à cúpula da facção.
Da Redação
quinta-feira, 21 de maio de 2026
Atualizado às 07:46
A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa, nesta quinta-feira, 21, durante operação do MP/SP e da Polícia Civil contra um suposto esquema de lavagem de dinheiro do PCC - Primeiro Comando da Capital.
A investigação aponta que valores oriundos da facção criminosa teriam sido movimentados por meio de uma transportadora de cargas usada como empresa de fachada. As informações são do g1.
A Operação Vérnix também teve como alvos Marco Herbas Camacho, o Marcola, apontado como chefe da organização criminosa, o irmão dele, Alejandro Camacho, além de sobrinhos e operadores financeiros ligados à facção. Marcola e Alejandro já estão presos na Penitenciária Federal de Brasília e foram comunicados da nova ordem de prisão preventiva.
De acordo com o portal, Deolane retornou ao Brasil na quarta-feira, 20, após passar semanas em Roma, na Itália. O nome dela chegou a constar na lista da Difusão Vermelha da Interpol. Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em imóveis ligados à influenciadora em Barueri/SP.
Bilhetes apreendidos deram origem à apuração
A investigação começou em 2019, após a apreensão de manuscritos e bilhetes com detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau/SP. Conforme o g1, o material mencionava ordens internas da facção, ataques planejados contra agentes públicos e referências a uma “mulher da transportadora”, responsável por levantar informações sobre servidores.
Segundo o portal, a partir disso, investigadores chegaram a uma transportadora sediada em Presidente Venceslau, identificada posteriormente como empresa de fachada usada para lavar dinheiro do PCC. As diligências deram origem à Operação Lado a Lado, deflagrada em 2021, que revelou movimentações financeiras incompatíveis e crescimento patrimonial sem lastro econômico.
Durante essa etapa, a apreensão do celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador central do esquema, revelou mensagens, comprovantes e registros financeiros ligados à cúpula da facção. Segundo o g1, ele administrava patrimônio em nome de Marcola e Alejandro Camacho, além de executar ordens da liderança criminosa.
Depósitos e movimentações suspeitas
As investigações apontam que imagens encontradas no celular apreendido mostravam depósitos destinados a contas de Deolane Bezerra e de Everton de Souza, conhecido como “Player”, indicado como operador financeiro da organização criminosa.
Ainda segundo o g1, entre 2018 e 2021, Deolane recebeu mais de R$ 1 milhão em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil, prática conhecida como “smurfing”, utilizada para dificultar o rastreamento bancário. A polícia afirma que Everton de Souza indicava a conta da influenciadora para “fechamentos” mensais relacionados ao caixa da facção.
A apuração também identificou cerca de 50 depósitos destinados a empresas ligadas à influenciadora, somando R$ 716 mil. Os valores partiram de uma empresa apresentada como banco de crédito, registrada em nome de um homem residente na Bahia com renda declarada próxima de um salário mínimo.
Segundo os investigadores, não foram encontrados pagamentos que justificassem esses créditos nem prestação de serviços advocatícios compatíveis com os valores movimentados. Para a polícia, a estrutura empresarial, a exposição pública e o patrimônio de alto padrão eram usados para dar aparência de legalidade aos recursos ilícitos.
Familiares de Marcola e investigados no exterior
Além de Deolane e Everton de Souza, a operação mira Alejandro Camacho e os sobrinhos de Marcola, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho.
Conforme o g1, a Polícia Civil suspeita que Paloma esteja na Espanha e Leonardo na Bolívia. Ambos são apontados como peças importantes na movimentação financeira da organização criminosa, atuando como intermediários e destinatários de recursos lavados.
Também foram expedidos mandados de busca contra o influenciador Giliard Vidal dos Santos, apontado como filho de criação de Deolane, e contra um contador ligado ao esquema.
Justiça apontou risco de fuga
A Justiça de São Paulo autorizou o bloqueio de R$ 357,5 milhões em bens e valores dos investigados, além da apreensão de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões.
Segundo o g1, ao decretar as prisões preventivas, a Justiça considerou que havia indícios robustos de participação dos investigados no esquema criminoso, além de risco de destruição de provas, ocultação de patrimônio e continuidade das atividades ilícitas.
O Judiciário também destacou que parte dos investigados estava no exterior e que medidas cautelares diversas da prisão seriam insuficientes diante da sofisticação da estrutura financeira atribuída ao grupo.




