MIGALHAS QUENTES

  1. Home >
  2. Quentes >
  3. Pix entrou na mira porque deu certo, avalia procuradora do Banco Central
Economia

Pix entrou na mira porque deu certo, avalia procuradora do Banco Central

Para Natália Barbosa, sistema tornou-se referência por promover inclusão financeira e reduzir dependências dentro do mercado de pagamentos.

Da Redação

terça-feira, 2 de junho de 2026

Atualizado às 14:54

O avanço tecnológico é o principal caminho para que o Brasil enfrente pressões econômicas internacionais e fortaleça sua posição no cenário global. A avaliação é de Natália Alves Duarte Barbosa, procuradora do Banco Central da República Federativa do Brasil e professora do IDP, em entrevista concedida ao Migalhas durante o XIV Fórum de Lisboa.

A declaração ocorre em meio à repercussão de críticas do governo dos Estados Unidos ao Pix. Em relatório divulgado nesta semana, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) acusou o Brasil de favorecer o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central em detrimento de empresas americanas do setor, e sugere taxação de 25% sobre os produtos brasileiros.

Para Natália Barbosa, embora os EUA exerçam forte influência sobre a economia mundial, o Brasil possui instrumentos para responder a eventuais impactos econômicos e comerciais.

A procuradora destaca que um dos principais exemplos do potencial brasileiro é o Pix. Justamente por ter alcançado ampla adesão da população e promovido mudanças significativas no mercado financeiro, o sistema passou a atrair atenção internacional.

"O Pix é um case de sucesso, é a independência financeira dentro do sistema financeiro. É uma política pública que deu muito resultado. Por isso é que chama atenção e entrou na mira."

Assista à entrevista:

 

Taxação

O relatório da USTR sustenta que o Banco Central favorece o Pix ao exigir sua disponibilização por instituições financeiras e incentivar sua utilização pelos usuários. Segundo o órgão americano, essas medidas prejudicariam empresas como Visa, Mastercard e WhatsApp Pay.

A investigação integra um processo iniciado pelo governo Donald Trump sobre supostas práticas comerciais desleais do Brasil. Além das críticas ao sistema de pagamentos instantâneos, o documento sugere a aplicação de tarifas de 25% sobre parte dos produtos brasileiros.

O relatório ainda será submetido a manifestações do governo brasileiro e de empresas interessadas antes da eventual adoção de medidas comerciais.

Para Natália, contudo, o debate evidencia um ponto central: o protagonismo conquistado por soluções tecnológicas desenvolvidas no Brasil.

O evento

O XIV Fórum Lisboa acontece de 1 a 3 de junho e tem como tema "Nova Ordem Internacional, Tecnologia e Soberania: Desafios democráticos, econômicos e sociais". O evento reúne autoridades e acadêmicos de diversas áreas para debater questões ligadas à inteligência artificial, regulação de plataformas digitais, proteção de crianças no ambiente online, segurança pública e impactos da tecnologia sobre a democracia.

Patrocínio