MIGALHAS QUENTES

  1. Home >
  2. Quentes >
  3. Gilmar Mendes vota para manter íntegra de decisão sobre marco temporal
Terras indígenas

Gilmar Mendes vota para manter íntegra de decisão sobre marco temporal

Relator afastou pedido de suspensão dos efeitos do julgamento e defendeu segurança jurídica nas questões envolvendo demarcações.

Da Redação

sábado, 20 de junho de 2026

Atualizado às 09:26

O ministro Gilmar Mendes, do STF, votou nesta sexta-feira, 19, para rejeitar recursos contra a decisão que derrubou o marco temporal para demarcação de terras indígenas. Relator do caso, S.Exa. entendeu que suspender os efeitos do julgamento poderia comprometer a segurança jurídica sobre a questão.

Até o momento, o placar está em 1 a 0 pela preservação do entendimento firmado pelo Supremo. A sessão virtual tem previsão de encerramento na próxima sexta-feira, 26.

 (Imagem: Victor Piemonte/STF)

Gilmar Mendes vota para manter íntegra da invalidação do marco temporal.(Imagem: Victor Piemonte/STF)

Os recursos foram apresentados pela APIB - Articulação dos Povos Indígenas do Brasil e pelos partidos PT - Partido dos Trabalhadores, PV - Partido Verde, PCdoB - Partido Comunista do Brasil, PSOL - Partido Socialismo e Liberdade e Rede Sustentabilidade. Entre os pedidos, as entidades defenderam a suspensão dos efeitos da decisão até a conclusão definitiva da análise dos embargos.

Ao votar, Gilmar Mendes afastou a possibilidade de suspender o acórdão. Para o ministro, a medida poderia gerar insegurança jurídica em um tema que envolve a proteção dos direitos indígenas e a execução das determinações já estabelecidas pelo Supremo.

O relator também respondeu às críticas relacionadas à ausência de consulta prévia aos povos indígenas durante o processo legislativo. Segundo Mendes, exigir consulta individualizada para a aprovação de leis sobre a matéria tornaria inviável a atividade legislativa, diante da quantidade de comunidades e etnias existentes no país.

Embora o STF tenha afastado o marco temporal, organizações indígenas sustentam que alguns pontos da decisão representam retrocessos. Entre eles estão a possibilidade de indenização a ocupantes que realizaram benfeitorias consideradas de boa-fé e regras relacionadas à consulta de comunidades afetadas por medidas que impactem seus territórios.

A discussão sobre o marco temporal se arrasta há anos. Em 2023, o STF declarou a tese incompatível com a Constituição. No mesmo período, o Congresso aprovou a lei 14.701/23, que incorporou o entendimento ao ordenamento jurídico. Parte da norma foi vetada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas o veto acabou derrubado posteriormente pelos parlamentares.

Diante da controvérsia, entidades indígenas e partidos políticos voltaram a provocar o Supremo. Em dezembro de 2025, a Corte consolidou o entendimento pela inconstitucionalidade do marco temporal, decisão que agora volta ao debate por meio dos recursos em julgamento.

Leia o voto.

Patrocínio