MPE se opõe à suspensão de pesquisa que apontou queda de Flávio Bolsonaro
Vice-procurador eleitoral afirmou que perguntas do levantamento não comprometeram a livre formação da opinião dos entrevistados.
Da Redação
terça-feira, 23 de junho de 2026
Atualizado às 08:02
O MPE manifestou-se contra a decisão do ministro Nunes Marques que suspendeu a divulgação de pesquisa da AtlasIntel sobre a corrida presidencial. O levantamento apontou queda na intenção de voto do senador Flávio Bolsonaro.
Em parecer enviado ao TSE nesta segunda-feira, 22, o vice-procurador-geral Eleitoral, Alexandre Espinosa, entendeu que o levantamento não apresentou irregularidades capazes de justificar a intervenção da Justiça Eleitoral.
Pesquisa após caso Master
O caso envolve um levantamento realizado pela AtlasIntel após a divulgação de conversas entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A pesquisa buscou medir o impacto do episódio na intenção de voto dos eleitores para a Presidência da República.
O PL pediu a suspensão da divulgação do levantamento sob o argumento de que o questionário teria induzido respostas ao abordar o chamado caso Master e apresentar aos entrevistados um áudio em que Flávio Bolsonaro pede recursos a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O pedido foi acolhido em decisão individual do ministro Nunes Marques, presidente do TSE, que determinou a suspensão da divulgação do estudo. O MPE, então, se posicionou contra a restrição.
Ausência de indução aos entrevistados
Na manifestação, Alexandre Espinosa sustentou que a atuação da Justiça Eleitoral sobre pesquisas deve ocorrer apenas em hipóteses excepcionais, quando houver demonstração concreta de comprometimento da imparcialidade do levantamento.
Para o vice-procurador, não foram identificados elementos que indiquem manipulação ou influência indevida sobre os entrevistados. Ele também considerou legítimo que institutos de pesquisa questionem eleitores sobre temas politicamente relevantes ou sensíveis.
No parecer, Espinosa afirmou que a interferência judicial somente se justifica quando houver evidências objetivas de quebra da imparcialidade do estudo e de significativa influência na formação da opinião dos participantes.
Suspensão aguarda análise do plenário
A pesquisa foi divulgada em 19 de maio e apontou redução de cinco pontos percentuais na intenção de voto de Flávio Bolsonaro após a repercussão das conversas com Daniel Vorcaro.
Em 8 de junho, Nunes Marques acolheu pedido do PL e determinou a suspensão da divulgação do levantamento, por entender que as perguntas poderiam induzir as respostas dos entrevistados. A decisão também proibiu a manutenção da pesquisa nos canais oficiais da AtlasIntel, bem como sua republicação ou impulsionamento em redes sociais.
O plenário do TSE iniciou, em 9 de junho, o julgamento sobre a manutenção da liminar. Contudo, a análise foi interrompida após pedido de vista da ministra Estela Aranha. Ainda não há data definida para a retomada do julgamento.
- Processo: 0600867-27.2026.6.00.0000