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Prisão do bruxo

Relembre prisão de Ronaldinho citada por senadora paraguaia que atacou Mbappé

Celeste Amarilla citou o caso ao se recusar a pedir desculpas por ataques racistas contra o jogador francês.

Da Redação

terça-feira, 7 de julho de 2026

Atualizado às 18:45

Quem se lembra da prisão de Ronaldinho Gaúcho no Paraguai? Em 2020, o ex-jogador passou um tempo detido no país, em episódio que ganhou repercussão internacional e ficou marcado também pelo famoso jogo de futebol entre Ronaldinho e presos.

 (Imagem: Reprodução | Twitter/Santiago Ravidlas)

Em 2020, Ronaldinho Gaúcho foi flagrado jogando futebol com detentos paraguaios.(Imagem: Reprodução | Twitter/Santiago Ravidlas)

À parte da situação inusitada, o caso voltou a ser lembrado nesta terça-feira, 7, em um contexto muito grave: a repercussão dos ataques racistas feitos pela senadora paraguaia Celeste Amarilla contra Kylian Mbappé.

A parlamentar citou Ronaldinho ao se recusar a pedir desculpas pelos ataques racistas feitos contra Kylian Mbappé, capitão da seleção francesa.

"Não se meta com os paraguaios, Mbappé. Nós já mandamos o Ronaldinho para a cadeia", declarou.

A seguir, relembre porque Ronaldinho foi preso no país.

Prisão do "bruxo"

Em 2020, Ronaldinho e o irmão, Roberto de Assis Moreira, viajaram ao Paraguai para participar de eventos.

Segundo a CNN Brasil, os dois foram detidos em um hotel na região metropolitana de Assunção após entrarem no país com passaportes paraguaios adulterados.

A defesa sustentou que Ronaldinho e Assis haviam recebido os documentos de terceiros e que não tiveram intenção de cometer crime. Inicialmente, os dois chegaram a ser autorizados a deixar o país, mas a decisão foi revertida.

Em 6/3/20, ambos foram presos preventivamente a pedido do Ministério Público paraguaio. Segundo o UOL, eles foram encaminhados à Agrupación Especializada, em Assunção, enquanto as investigações prosseguiam.

O ex-jogador permaneceu 32 dias detido até que a Justiça paraguaia autorizou a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar. De acordo com o ge, Ronaldinho e Assis deixaram a cadeia em 7/4/20, após pagamento de fiança, e passaram a cumprir a medida em um hotel em Assunção.

O processo foi encerrado em agosto de 2020, após acordo com o MP paraguaio. Conforme noticiou o ge, o juiz paraguaio Gustavo Amarilla aceitou a proposta apresentada pelo MP e também aceita pela defesa, permitindo que os irmãos retornassem ao Brasil após 171 dias presos em Assunção.

No desfecho do caso, Ronaldinho e Assis ficaram livres de acusação pelo uso dos documentos falsos. Segundo a ESPN, o Ministério Público do Paraguai aplicou o chamado "critério de oportunidade" após os brasileiros colaborarem com a investigação.

Outro caso de passaporte

Antes do episódio no Paraguai, Ronaldinho e o irmão já haviam tido os passaportes apreendidos no Brasil em razão de uma disputa judicial envolvendo multas ambientais.

Em 2018, o ministro Francisco Falcão, do STJ, negou liminar em HC apresentado pela defesa do ex-jogador e de Roberto de Assis Moreira. O pedido buscava reverter decisão que havia determinado a apreensão dos passaportes como forma de pressionar o pagamento das multas.

As penalidades tinham origem em ação civil pública movida pelo MP/RS, relacionada à construção irregular de um trapiche, com plataforma de pesca e atracadouro, na orla do Lago Guaíba, em Porto Alegre. Segundo o MP, as multas chegavam a R$ 8,5 milhões à época.

Na decisão, o ministro destacou que a apreensão dos passaportes tinha amparo no CPC e estava relacionada à proteção do meio ambiente, direito fundamental previsto na CF. Para Falcão, a defesa não demonstrou, naquele momento, que os imóveis penhorados seriam suficientes para garantir a reparação integral dos danos ambientais.

Caso Mbappé 

O caso de Ronaldinho foi relembrado em meio à repercussão dos ataques racistas da senadora paraguaia Celeste Amarilla contra Kylian Mbappé.

Após a eliminação do Paraguai para a França na Copa do Mundo, a parlamentar publicou ofensas contra o capitão da seleção francesa e fez comparações de cunho racista.

Em uma das mensagens, chamou o jogador de "camaronês colonizado, fingindo ser francês". Em outra, afirmou que, "em vez de leite materno, tomava coco" e que "a coisa mais educada que ouviu foram chimpanzés".

Mbappé reagiu nas redes sociais e disse que a parlamentar mostrava "a pior imagem possível" do Paraguai. Depois da resposta, Amarilla afirmou que poderia processar o jogador por violência política de gênero e, em entrevista coletiva, recusou-se a pedir desculpas.

Na França, o Ministério Público de Paris abriu investigação após denúncia apresentada pela Federação Francesa de Futebol. O caso é apurado como difamação pública agravada, com base na origem, etnia, nacionalidade, raça ou religião da vítima.

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