França investiga senadora paraguaia por ataques racistas contra Mbappé
Apuração foi aberta após denúncia da Federação Francesa de Futebol; parlamentar se recusou a pedir desculpas e falou em processar jogador.
Da Redação
terça-feira, 7 de julho de 2026
Atualizado às 18:55
O Ministério Público de Paris abriu investigação contra a senadora paraguaia Celeste Amarilla após ataques racistas feitos, na rede social X, contra Kylian Mbappé, capitão da seleção de futebol francesa.
A apuração foi instaurada após denúncia apresentada pela Federação Francesa de Futebol. O caso é investigado como difamação pública agravada, com base na origem, etnia, nacionalidade, raça ou religião da vítima.
As declarações da parlamentar provocaram uma onda de repúdio nos últimos dias.
O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos classificou as falas como racistas e desprezíveis, e afirmou que episódios do tipo refletem um problema mais amplo de discriminação no esporte.
Nesta terça-feira, 7, Amarilla voltou a se manifestar publicamente, durante entrevista no Senado paraguaio, e se recusou a pedir desculpas ao jogador.
A parlamentar afirmou que não tinha motivo para se retratar, alegou ter sido atacada por Mbappé e disse que poderia processá-lo por violência política de gênero.
Entenda
No último sábado, 5, em jogo da Copa do Mundo, a França eliminou o Paraguai. Depois da partida, jogadores paraguaios provocaram Mbappé, que respondeu ainda em campo.
Nas redes sociais, a senadora paraguaia Celeste Amarilla publicou ofensas contra o capitão da seleção francesa e fez comparações de cunho racista.
Em uma das publicações, Amarilla chamou Mbappé de "camaronês colonizado, fingindo ser francês, ressentido, novo-rico, prepotente e feio".
A senadora também sugeriu que o goleiro paraguaio Orlando Gill deveria ter reagido após Mbappé recusar um aperto de mão ao fim da partida. "Você deveria ter mostrado o dedo. Eu faço isso no Senado e nada acontece", afirmou.
Em outra mensagem, escreveu:
"Bruto, não aprendeu nem a escrever. Em vez de leite materno, tomava coco, e a coisa mais educada que ouviu foram chimpanzés."
Mbappé reagiu em sua conta oficial no X e afirmou que a parlamentar é uma "mulher desprezível e indigna de sua função" . O jogador também disse que Amarilla não representava o povo paraguaio, que, segundo ele, havia demonstrado "paixão e honra" durante a Copa.
"Senhora Celeste Amarilla,
A senhora é uma mulher desprezível e indigna de sua função.
A senhora não representa o Paraguai, este país que transpirou paixão e honra durante toda a competição.
Por sua inconsciência e seu racismo escancarado, o mundo inteiro já esqueceu a trajetória e o esforço histórico que seus jogadores realizaram durante esta Copa do Mundo, dando lugar a uma senhora incompetente que passa a pior imagem possível de seu país.
Jamais permitirei que pessoas como ela tenham a liberdade de propagar seu ódio e seu racismo pelo mundo."
Madame Celeste Amarilla,
— Kylian Mbappé (@KMbappe) July 6, 2026
Vous êtes une femme méprisable et indigne de sa fonction.
Vous ne représentez pas le Paraguay, ce pays qui a transpiré la passion et l’honneur tout au long de la compétition. Par votre inconscience et votre racisme décomplexé, le monde entier a déjà… pic.twitter.com/EnYmgQXvPL
Na sequência, a senadora voltou às redes sociais para rebater o atacante. Ela exigiu um pedido de desculpas, afirmou que suas críticas eram dirigidas exclusivamente a Mbappé e alegou ter sido vítima de violência de gênero em razão da resposta pública recebida.
Manifestação pública
Nesta terça-feira, 7, Amarilla voltou a se manifestar durante entrevista coletiva no Senado paraguaio. Ela se recusou a pedir desculpas ao capitão da seleção francesa.
Questionada sobre o teor das publicações, a parlamentar chegou a reconhecer o conteúdo discriminatório da fala. "Sim, é racismo e eu me retratei", disse, ao justificar que apagou a postagem. Apesar disso, afirmou que não tinha motivo para se desculpar com Mbappé.
A senadora disse ainda que poderia processar o jogador por violência política de gênero. "Não me subestime, Mbappé. Eu posso contratar um advogado e vão dizer que eu posso ganhar. Violência de gênero. Violência política contra a mulher. Isso sim é grave. Que me peça desculpas porque ainda tenho ação para isso", declarou.
Amarilla também afirmou que sua fala foi resultado de uma formação social marcada por preconceitos e disse estar em processo de mudança. "Eu venho dessa sociedade, estou me reconstruindo", afirmou.
Mesmo assim, manteve o tom ofensivo contra o jogador durante a coletiva. "Quem é Mbappé para falar de mim?", disse. A parlamentar também afirmou que o atleta "nem sabe onde fica o Paraguai".
Ao ser perguntada sobre qual recado enviaria ao jogador, Amarilla pediu que, "se ele souber ler", lesse uma carta aberta escrita por ela em espanhol e em francês. Em seguida, citou o ex-jogador brasileiro Ronaldinho Gaúcho.
"Não se meta com os paraguaios, Mbappé. Nós já mandamos o Ronaldinho para a cadeia", declarou.