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Abuso processual

CNJ discute medidas para coibir violência processual contra mulheres

Proposta busca orientar magistrados a identificar e coibir o uso abusivo do processo judicial contra mulheres.

Da Redação

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Atualizado às 12:06

O plenário do CNJ iniciou, nesta terça-feira, 4, a discussão de uma proposta de recomendação para prevenir, identificar e enfrentar a violência processual de gênero no Poder Judiciário.

O texto estabelece diretrizes para que magistrados identifiquem e coíbam o uso abusivo do processo judicial como instrumento de intimidação, retaliação ou revitimização de mulheres e meninas em situação de violência.

Processo como forma de intimidação

A proposta foi apresentada pela conselheira Jaceguara Dantas, supervisora das políticas nacionais de enfrentamento à violência contra a mulher. Segundo a relatora, a violência processual de gênero ocorre quando o processo judicial é utilizado contra mulheres e meninas como instrumento de controle, intimidação, retaliação, discriminação ou revitimização.

Citou casos em que, após a vítima registrar boletim de ocorrência ou pedir medida protetiva, o agressor passa a ajuizar ações nas áreas criminal, cível e de família para prolongar o ciclo de violência.

“Embora o acesso à Justiça seja um direito fundamental garantido pela Constituição da República, o exercício desse direito não pode servir de escudo para práticas abusivas, discriminatórias ou destinadas à intimidação, ao constrangimento e à revitimização das mulheres e meninas.”

 (Imagem: Reprodução/YouTube)

A conselheira Jaceguara Dantas apresentou ao plenário do CNJ a proposta de recomendação sobre violência processual de gênero.(Imagem: Reprodução/YouTube)

Dados e políticas do CNJ

Jaceguara Dantas afirmou que a iniciativa encontra respaldo na Constituição, em leis nacionais e em tratados internacionais de proteção às mulheres.

Também mencionou dados da Ouvidoria Nacional da Mulher do CNJ, segundo os quais 37,3% das manifestações recebidas apontavam falhas ou necessidade de aprimoramento na aplicação do Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero.

A recomendação complementa políticas já adotadas pelo Conselho, como o próprio protocolo, a Política Judiciária Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres e a recomendação sobre litigância abusiva e assédio processual.

A proposta foi apresentada ao plenário para o início das discussões antes de sua apreciação.

  • Processo: 0006095-65.2026.2.00.0000

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