Aluna de Direito que orientava sobre golpes é presa suspeita de aplicar golpes
Jovem de 22 anos e o namorado são investigados por manter falsa loja de celulares em São Paulo.
Da Redação
sexta-feira, 14 de agosto de 2026
Atualizado às 12:24
A estudante de Direito Micaelli Araújo, de 22 anos, que publicava nas redes sociais orientações para evitar golpes e para desbloquear contas bancárias suspensas por suspeita de fraude, foi presa preventivamente nesta sexta-feira, 14, suspeita de praticar justamente esse tipo de fraude.
Segundo a investigação, Micaelli e o namorado, Rafael dos Santos Damasceno, simulavam uma loja de celulares para receber pagamentos por aparelhos que não eram entregues.
O casal foi preso durante a Operação Reflexo, deflagrada pela 8ª DP do Distrito Federal no Estado de São Paulo, com apoio operacional da PC/SP e de inteligência de uma plataforma de comércio eletrônico.
Loja cenográfica
De acordo com a investigação, Micaelli e Rafael criavam e administravam perfis falsos que reproduziam a identidade visual de uma loja verdadeira especializada na venda de celulares.
Por meio dessas páginas, anunciavam smartphones e conduziam as negociações de forma a fazer as vítimas acreditarem que compravam de um estabelecimento legítimo. Após o pagamento, porém, os aparelhos não eram entregues.
Para reforçar a aparência de autenticidade, o casal também enviava fotos e vídeos próprios de celulares, caixas, embalagens e outros itens relacionados aos produtos anunciados.
Segundo a polícia, esse material era produzido em uma espécie de “loja cenográfica”, montada em um cômodo de imóvel utilizado pelo casal. O espaço era organizado para simular um estabelecimento verdadeiro e servia como cenário para as imagens encaminhadas durante as negociações.
No cumprimento das medidas judiciais, os agentes apreenderam dispositivos eletrônicos e caixas de celulares usados na composição do ambiente. Para a PC/DF, o material corroborou os elementos que já indicavam a existência da estrutura.
Veja:
Conteúdo nas redes
Ao longo da investigação, outro aspecto chamou a atenção da PC/DF em relação a Micaelli. Além de cursar Direito, ela atuava como estagiária em um escritório e publicava, nas redes sociais, conteúdos com orientações sobre como desbloquear contas bancárias bloqueadas por suspeita de fraude.
Segundo a corporação, essas publicações ganharam relevância diante da identificação de movimentações financeiras consideradas atípicas e da circulação de recursos entre pessoas relacionadas ao núcleo investigado.
Veja um dos posts:
Prisão preventiva
A Justiça decretou a prisão preventiva de Micaelli e Rafael e autorizou quatro mandados de busca e apreensão em endereços no Estado de São Paulo, além do bloqueio cautelar de até R$ 20 mil em ativos financeiros.
A investigação identificou diversas ocorrências relacionadas no Distrito Federal e registros semelhantes em outros Estados. Segundo a polícia, os elementos apontam para uma atuação reiterada e que não se restringia a vítimas de uma única localidade.
Micaelli e Rafael responderão, em tese, por estelionato mediante fraude eletrônica, previsto no art. 171, § 2º-A, do Código Penal. A pena prevista é de quatro a oito anos de reclusão, além de multa.