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Grandes líderes se reúnem para debate sobre Governança

Encontro promovido pelo Grupo Conselheiras reuniu representantes de grandes empresas para discutir governança, liderança e os desafios impostos pelas transformações tecnológicas

Da Redação

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Atualizado às 18:29

O grupo Conselheiras realizou ontem, 13/8, o encontro “A Governança dos Grandes Líderes”, reunindo executivos, conselheiros e especialistas para discutir os desafios contemporâneos da governança e as competências exigidas das lideranças diante de um ambiente empresarial em constante transformação.

A abertura contou com Sandra Comodaro, advogada, conselheira, administradora e fundadora do Conselheiras; Rina Xavier, coordenadora executiva de Educação Executiva no Insper; e Adriana Liporoni, secretária de Políticas para a Mulher do Governo do Estado de São Paulo.

Em sua participação, Adriana Liporoni destacou que o enfrentamento à violência contra a mulher é uma responsabilidade de toda a sociedade e ressaltou o papel das empresas nesse compromisso. Segundo ela, o ambiente de trabalho pode ser um importante espaço de informação, acolhimento e orientação, contribuindo para reconhecer situações em que uma mulher precisa de ajuda. “Para que uma mulher possa fazer suas escolhas, desenvolver sua trajetória profissional e exercer sua liderança, ela precisa, acima de tudo, estar segura e livre de qualquer forma de violência”, afirmou. 

O painel principal reuniu Cristina Palmaka, conselheira da Vivo, C&A, Eurofarma e Arcos Dourados; Andre de Angelo, presidente da Acciona Brasil; e Bruno Garfinkel, presidente do Conselho de Administração do Grupo Porto, moderados pelo professor do Insper,  André Camargo, advogado, conselheiro da Lupo e doutor em Direito Comercial pela USP.

 (Imagem: Divulgação/Conselheiras)

Cristina Palmaka, Andre De Angelo, Bruno Garfinkel e André Camargo.(Imagem: Divulgação/Conselheiras)

Ao apresentar os motivos que a levaram a escolher essa composição, Sandra Comodaro ressaltou as diferentes perspectivas representadas no painel: Andre de Angelo, pela capacidade de inovar, romper padrões com responsabilidade e manter a diversidade no centro das decisões; Bruno Garfinkel, pela visão da governança como cuidado com as decisões, as pessoas, os acionistas, a reputação e o futuro das organizações; e Cristina Palmaka, por sua trajetória em grandes empresas e pela experiência levada aos conselhos, com uma visão plural, estratégica e transformadora dos negócios.

Durante o evento, os convidados falaram de suas experiências profissionais e como chegaram ao posto que ocupam hoje. Abordaram também temas como visão de longo prazo, transformação digital e inteligência artificial, gestão de riscos, governança como instrumento de crescimento, formação de lideranças e sucessão. 

Neste último tema, Bruno Garfinkel ressaltou que o vínculo familiar, por si só, não credencia alguém a assumir a liderança do negócio. Em que pese ter ocupado o posto de chairman por seu vínculo familiar, ele ressalta que o processo sucessório deve considerar dois fatores fundamentais: competência e vontade genuína de ocupar aquela posição. “DNA não é um atestado de competência”, afirmou. Garfinkel defendeu ainda que herdeiros tenham liberdade para construir seus próprios caminhos e vontade genuína e sem a obrigação de dar continuidade à trajetória dos pais ou avós. “Sucessão não é uma condenação”, sintetizou.

Simplicidade, relações interpessoais e desenvolvimento de competências humanas

Ao falar dos futuros líderes empresariais, os convidados deixaram breves recomendações.

Para Bruno Garfinkel, uma boa ideia precisa, antes de tudo, ser compreensível. “Se eles não entenderem o que você quis dizer, nem leve para a empresa. Porque, se a ideia não for simples o suficiente, ela não vai decolar.

A simplicidade, nessa perspectiva, não significa ausência de profundidade, mas capacidade de transformar questões complexas em propostas que possam ser compreendidas e executadas pelas pessoas envolvidas na organização.

Andre De Angelo chamou a atenção para as relações interpessoais e a capacidade de comunicação. A pessoa tem que saber que vai ser ouvida, independentemente de aquilo ir adiante ou não.” Segundo ele, conselhos e diretorias precisam recuperar esse lado mais humano e acolhedor, proporcionando tranquilidade para que as pessoas possam apresentar opiniões, questionamentos e propostas sem receio.

Cristina Palmaka encerrou o painel destacando que, em um cenário marcado pela inteligência artificial, as chamadas” human skills” tendem a ganhar ainda mais relevância e elencou quatro competências que considera especialmente importantes em períodos de transformação: pensamento sistêmico, honestidade intelectual, humildade intelectual e empatia.

Que a gente seja empático e generoso com tudo o que está acontecendo e com a gente mesmo, porque é um momento de transformação e de mudanças.

Para a conselheira, independentemente da cadeira ocupada — seja em conselhos, posições executivas ou na academia —, o desafio está em reunir essas competências para tomar decisões melhores em períodos particularmente complexos.

O evento também reforçou a importância da diversidade e da presença feminina nos espaços de decisão, associando a boa governança à responsabilidade das organizações com as pessoas e com a sociedade.

O grupo Conselheiras foi fundado em agosto de 2022 pela advogada e conselheira Sandra Comodaro a partir de uma necessidade que vislumbrou sobre a ausência de mulheres nos conselhos e comitês. Hoje conta com mais de 2500 membros, ente homens e mulheres, presidentes, executivos, C-levels e sucessores de empresas. Entre suas atividade, realiza eventos, aulas, promoção de networking e distribuição de bolsas de estudo do programa de conselheiros, que já incluiu sete participantes em Conselhos. Recentemente, lançou um podcast para tratar sobre liderança e pautas de conselho. 

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