Diretores da PF apoiam Andrei Rodrigues e colocam cargos à disposição
Onze integrantes da corporação reagiram ao afastamento do diretor-geral e do diretor de Inteligência determinado por André Mendonça.
Da Redação
terça-feira, 8 de setembro de 2026
Atualizado às 14:43
Onze diretores da Polícia Federal divulgaram, nesta terça-feira, 8, nota de apoio ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e ao diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada, afastados preventivamente dos cargos por decisão do ministro André Mendonça, do STF.
No documento, os integrantes da cúpula da PF falam em "injustificados ataques" sofridos pela instituição e afirmam que narrativas "marcadamente influenciadas por interesses político-eleitorais" não podem apagar a história e a trajetória profissional dos dois delegados.
Os diretores também repudiam qualquer tentativa de atribuir a Andrei, Almada ou à Polícia Federal uma “atuação não republicana”.
"Para que fique absolutamente claro, repudiamos toda e qualquer tentativa de imputar a eles ou à Polícia Federal uma atuação não republicana. Tais acusações, desprovidas de fundamento, afrontam a história, a credibilidade e o compromisso institucional que sempre pautaram suas condutas."
Ao final, colocam os próprios cargos à disposição do diretor-geral substituto.
Veja a íntegra da nota:
“Os Diretores da Polícia Federal vêm a público expressar seu total apoio ao Diretor-Geral, Delegado de Polícia Federal Dr. Andrei Rodrigues, e ao seu Diretor de Inteligência, Delegado de Polícia Federal Dr. Leandro Almada, diante dos injustificados ataques sofridos pela Polícia Federal na data de hoje.
Da mesma forma como a Instituição Polícia Federal tem, em sua história e feitos, a razão de sólida admiração dos brasileiros, o Dr. Andrei também conta com um percurso profissional dedicado à defesa da PF, com atuação técnica, isenta e responsável.
Narrativas marcadamente influenciadas por interesses político-eleitorais não têm o poder de apagar a história, a reputação e a trajetória profissional de quem quer que seja.
Assim, cumprindo nosso dever de defender a Instituição de ataques e tentativas de usurpação de funções, e assegurando o interesse público na manutenção de uma Polícia Federal capaz de promover justiça e assegurar o Estado Democrático de Direito, tornamos público nosso apoio aos diretores.
Para que fique absolutamente claro, repudiamos toda e qualquer tentativa de imputar a eles ou à Polícia Federal uma atuação não republicana. Tais acusações, desprovidas de fundamento, afrontam a história, a credibilidade e o compromisso institucional que sempre pautaram suas condutas. Neste ato, colocamos nossos cargos à disposição do Diretor-Geral substituto.”
Afastamento
Nesta terça-feira, André Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e de Leandro Almada. A medida foi tomada no contexto da crise envolvendo relatórios de inteligência da PF que vieram a público após divulgação feita pelo ministro Alexandre de Moraes.
Mendonça afirmou ter identificado “superlativa gravidade” e possíveis ilicitudes na produção dos documentos e apontou inadequações, disfuncionalidades, irregularidades e potenciais ilegalidades na atuação da direção da Polícia Federal.
Segundo o ministro, ao menos seis relatórios teriam sido produzidos com informações sobre sua atuação. O advogado-geral da União, Jorge Messias, também teria sido objeto dos levantamentos.
Além dos afastamentos, Mendonça suspendeu a produção, elaboração e compartilhamento de relatórios de inteligência destinados à análise de atos praticados no exercício de funções do Judiciário, da advocacia pública e da própria polícia judiciária.
Referendo
A decisão foi levada ainda nesta terça-feira à 2ª turma do STF para referendo, em sessão virtual extraordinária.
André Mendonça votou pela manutenção das medidas e foi acompanhado pelos ministros Nunes Marques e Luiz Fux, formando maioria de três votos no colegiado de cinco integrantes.
O julgamento, porém, foi interrompido após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, feito logo na abertura da sessão. Mesmo assim, a turma formou maioria para referendar a decisão de Mendonça.
- Processo: Pet 16.662
Leia a decisão de Mendonça.